Não é segredo para ninguém que a Honda vai mudar o Civic em breve para a linha 2015. O modelo deverá passar por alterações estéticas (espero que na traseira) e no acabamento interno para ficar mais refinado. Tudo isso para manter a hegemonia de 2014 entre os concorrentes, ainda mais agora que o Toyota Corolla reduziu a diferença em mais de 1.000 unidades no mês de maio. Por causa disso, montei uma lista com 5 dicas para a Honda manter o Civic na liderança do segmento de sedãs médios no Brasil.
A disputa pela ponta está mesmo acirrada. Veja na tabela abaixo, que tem os dados de emplacamento divulgados pela Fenabrave.
| Modelo | Abril | Maio | Janeiro a Maio 2014 | Média 2014* |
| Honda Civic | 5.774 | 4.702 | 22.866 | 4.573 |
| Toyota Corolla | 5.565 | 5.741 | 20.128 | 4.025 |
| Chevrolet Cruze | 1.437 | 1.651 | 8.856 | 1.771 |
| Nissan Sentra | 1.481 | 1.233 | 5.925 | 1.185 |
| Citroën C4 Lounge | 1.014 | 883 | 4.173 | 834 |
| Ford Focus Sedan | 1.320 | 1.174 | 4.127 | 825 |
| Volkswagen Jetta | 690 | 818 | 3.255 | 651 |
| Renault Fluence | 683 | 641 | 3.052 | 610 |
| Peugeot 408 | 511 | 510 | 1.896 | 379 |
| Kia Cerato | 194 | 238 | 1.852 | 370 |
| Hyundai Elantra | 340 | 341 | 1.695 | 339 |
*: Média arredondada.
O Civic precisará mesmo de evoluções na linha 2015. Por isso, espero que a Honda veja (e implemente, dentro do possível) essas dicas. Caso contrário, o Civic poderá virar uma presa fácil do Toyota Corolla.
1. Manter os preços atuais ou reduzí-los – O Honda Civic não é um carro barato, mas, ainda assim, custa menos do que o Corolla 2015, que foi bastante criticado pelos valores astronômicos pedidos pela Toyota. Por isso, para se manter na ponta, a Honda deve manter os preços do atual Civic na linha 2015 ou reduzí-los. Os valores hoje são: R$ 65.890 (LXS 1.8), R$ 68.890 (LXS 1.8 AT), R$ 74.490 (LXR 2.0 AT) e R$ 83.990 (EXR 2.0 AT).
2. Aumentar a segurança – Todas as versões do Civic deveriam vir, de série, com, pelo menos, quatro airbags. Atualmente, só o Civic EXR, topo de linha, conta com o quarteto de bolsas infláveis (o EXR deveria ter seis airbags). Seria uma adição importante para torar o modelo mais competitivo e seguro. Além disso, o sistema de assistência de frenagem de urgência (BA) e os retrovisores com luzes indicadoras de direção também deveriam ser de série nas versões LXS e LXR, assim como o controle de tração e estabilidade (VSA) – esse, no mínimo, para o Civic LXR (intermediário).
3. Câmbio automático com seis marchas ou CVT – A Honda deveria evoluir o seu câmbio automático, ampliando o número de marchas de cinco para, pelo menos, seis (ou, quem sabe, sete). Outra alternativa seria trocar transmissão automática tradicional pela CVT. Um detalhe importante: em ambos os casos, as borboletas (paddle shift) atrás do volante devem ser mantidos (evitando o erro feito com o Fit).
4. Aumentar a oferta de equipamentos para todas as versões – O Civic EXR concentra boa parte dos equipamentos da linha. Para ficar mais competitivo, alguns itens deveriam ser oferecidos de série ou como opcionais para as outras versões (LXS e LXR), como o sistema multimídia e navegador (GPS) touchscreen integrado ao painel. Evitem rodas de aro 17″.
5. Fim do tanquinho para o motor 1.8 e melhorias de consumo para o Civic 2.0 – A versão LXS, equipada com motor 1.8 16V, tanto com câmbio manual, quanto com o automático, levou nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, com base nos dados do Inmetro/CONPET. Mas a motorização 1.8 ainda tem tanquinho de partida a frio. Logo, precisa evoluir para o sistema Flex One (que abandona esse dispositivo). As versões com LXR e EXR, com propulsor 2.0 16V, levaram nota B na “Comparação Relativa na Categoria” e nota C na “Comparação Absoluta Geral”. Para efeito comparativo, o Nissan Sentra 2.0 CVT recebeu, respectivamente, notas A e C, enquanto o Toyota Corolla 2.0 CVT levou as notas A e B nos mesmos critérios de avaliação.
Veja os dados do Inmetro/CONPET:
| Consumo |
Cidade |
Estrada |
||
| Combustível | Etanol | Gasolina | Etanol | Gasolina |
| Honda Civic 2.0 AT | 6,6 km/l | 9,7 km/l | 9,0 km/l | 13,1 km/l |
| Toyota Corolla 2.0 CVT | 7,3 km/l | 10,6 km/l | 9,1 km/l | 12,6 km/l |
| Nissan Sentra 2.0 CVT | 6,9 km/l | 10,2 km/l | 9,1 km/l | 12,9 km/l |
| Renault Fluence 2.0 CVT | 6,9 km/l | 9,1 km/l | 8,1 km/l | 12,0 km/l |
| Ford Focus Sedan 2.0 AT | 6,5 km/l | 9,9 km/l | 8,6 km/l | 13,0 km/l |
| Citroën C4 Lounge 2.0 AT | 5,7 km/l | 8,3 km/l | 7,9 km/l | 11,2 km/l |
| Volkswagen Jetta 2.0 AT | 6,1 km/l | 8,8 km/l | 7,8 km/l | 10,8 km/l |
| Peugeot 408 2.0 AT | 5,6 km/l | 8,2 km/l | 7,8 km/l | 11,1 km/l |
Eu teria ainda mais duas dicas mas, pelo visto, elas já serão implementadas no Civic 2015, como comentei no início do post. A primeira é a melhoria do design do carro, especialmente a traseira, que piorou muito em relação à geração anterior. Como existe a chance da Honda adotar o visual do modelo norte-americano, que é bem melhor do que o nosso, poderei ficar tranquilo (ou não) em relação a esse ponto.
A outra seria em relação ao acabamento. O Civic atual é simples e perdeu detalhes e alguns refinamentos que eram interessantes em relação à versão anterior. Cito dois pouco lembrados: pedal do acelerador preso por baixo (estilo dos carros alemães de luxo) e o freio de mão em formato diferenciado. Além disso, o interior ficou meio pobre para um carro dessa categoria. Pelo que está sendo especulado, a Honda também vai melhorar o acabamento do Civic por aqui, como fez nos Estados Unidos.


