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Teste: Nissan Sentra SL 2.0 – Sedã supera expectativas e agrada pelo conforto, espaço e câmbio CVT. Consumo é aceitável

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Nissan Sentra SL foi testado pelo De 0 a 100

Normalmente, quando compramos sorvete, escolhemos sempre os mesmos sabores, que costumam ser de creme, chocolate, flocos ou napolitano. Vez ou outra variamos. Outro dia, participei de uma degustação muito interessante em uma sorveteria muito boa em Belo Horizonte, que me permitiu experimentar novos sabores – e realmente valeu a pena, pois agora saio sempre da mesmice.

No segmento de sedãs médios no Brasil, vivemos uma situação bastante semelhante. Temos “os sabores sempre escolhidos” Honda Civic e Toyota Corolla, além do Chevrolet Cruze e do Volkswagen Jetta, que também têm boa saída. Mas, depois de testar o Nissan Sentra SL 2.0 CVT, mais uma vez, percebi que vale sair da mesmice.

Não me entendam mal. Civic, Corolla, Cruze e Jetta também são carros “gostosos”. Mas o Sentra conseguiu superar várias das minhas expectativas, especialmente quando fiz comparações com o Civic, que ainda é a referência (e líder de vendas) da categoria.

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Dianteira do Nissan Sentra SL é conservadora

Sóbrio

Como eu disse antes, visualmente, o modelo na Nissan chama a atenção mais pelas linhas sóbrias do que pela ousadia. É um exemplo prático do “bonito e discreto”, características muito bem-vindas para essa categoria e que me agrada bastante (dependendo o segmento). A parte que mais me atraí no Sentra é a sua traseira, que realmente é bonita. A dianteira não é feia, mas poderia ser mais agressiva. Quem sabe na primeira reestilização.

Ao rodar com o carro pelas ruas, contei apenas quatro viradas de pescoço para apreciá-lo, sendo uma de um dono de um Hyundai Elantra; uma de um vendedor de uma concessionária da Honda; e duas de motoristas do Nissan Versa. Um deles até me perguntou se “aquele era o novo Sentra” e se “o carro é bom”. Com duas respostas positivas, ele foi embora satisfeito.

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Traseira é a parte mais bonita do Nissan Sentra SL

Desempenho, câmbio CVT e consumo

Debaixo do capô, o novo Sentra traz o motor MR20DE (variação do MR18DE utilizado no Livina e no finado Tiida), 2.0 16V flex, que desenvolve 140 cv de potência a 5.100 rpm e 20 mkgf de torque a 4.800 rpm com qualquer combustível.

São números interessantes, mas já superados pela maioria dos concorrentes. Entretanto, na prática, o carro anda bem, não deixando nada a desejar em relação aos adversários. Assim como o Honda Civic 2.0 FlexOne, a nova geração do Sentra elimina o tanquinho auxiliar da partida a frio com a adoção do sistema Flex Start Bosch, o que é bem-vindo.

Cidade x estrada

Na cidade, o motor 2.0 trabalha com folga, enfrentando qualquer tipo de desafio sem fazer muito esforço, mesmo em arrancadas em subidas íngremes. Na estrada, ele gosta de trabalhar mais cheio, aproveitando melhor as características das 16 válvulas. Mesmo com com quatro ocupantes, muita bagagem e ar-condicionado ligado, o Sentra respondeu muito bem, permitindo ultrapassagens com segurança.

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Toda linha, incluindo o Nissan Sentra SL , tem motor 2.0 16V com 140 cv

Câmbio CVT

Um dos segredos para o bom desempenho do motor, e um dos pontos mais elogiados do sedã japonês mexicano, é a sua transmissão automática CVT. Batizada de Xtronic, ela recebeu uma série de melhorias para equipar a nova geração modelo da Nissan. Segundo a marca, as mudanças tornaram o funcionamento do conjunto mais suave, eficiente e econômico. Com cerca de 60% dos componentes novos, o CVT está 13% mais leve e produzindo 30% menos atritos em comparação à geração anterior.

E isso pode ser comprovado na prática. O câmbio tem funcionamento suave e você não sente nenhuma troca de marcha – afinal, ele é continuamente variável. Entretanto, para quem não tem costume, o sistema CVT pode estranhar.

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Câmbio automático CVT Xtronic

Desligue o overdrive

Além das opções clássicas de um automático (P, N e D), o Sentra CVT te dá a opção L no câmbio, que serve para arrancadas em subidas íngremes, descidas acentuadas ou outras situações que necessitem de mais tração – sempre com baixa velocidade. Em caso de uma descida de serra na estrada, o ideal é desligar o overdrive, usando o botão lateral da alavanca do câmbio. Ele ajuda o câmbio (e o carro) a usar o freio do motor de forma mais eficiente.

Mais força

Na estrada, ao fazer o kick down no pedal para ganhar velocidade (para uma ultrapassagem), achei que o câmbio demorou um pouco para responder e, por consequência, o motor demorou mais do que eu gostaria para “encher” – isso se comparado, por exemplo, a um Honda Civic 1.8 automático. Mas acredito que seja tudo uma questão de costume.

Suspensão

Ainda comparando o Sentra com o Civic, o veículo feito no México conta com uma carroceria com suspensão “tradicional”, independente na frente e com eixo de torção atrás, com acerto voltado para o conforto. Na cidade, o carro absorve bem as inúmeras imperfeições do nosso piso, sem fazer com que os ocupantes sintam os buracos. Na estrada, a estabilidade é boa, mas notadamente inferior à do sedã da Honda, que conta com suspensão independente também na traseira.

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Computador de bordo: 9,4 km/l na estrada

Sequenciais?

Voltando ao câmbio, o meu principal questionamento sobre a transmissão Xtronic do Sentra é a falta de trocas sequenciais. Sem dúvida seria um ganho e tanto para o sedã da Nissan, especialmente se o carro tivesse borboletas no volante.

Faróis

Mesmo de dia, os faróis de LED chamavam a atenção dos outros motoristas quando estavam ligados. Rodando na cidade e na estrada a noite, os faróis fizeram bem o seu trabalho, com exceção dos de neblina, que eram muito ruins. Provavelmente estavam desregulados. Fica a dica para a Nissan considerar colocar faróis de xenônio direcionais no seu sedã médio.

Consumo

O Sentra recebeu nota “A” na categoria dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), do INMETRO, tanto nas versões equipadas com o câmbio manual de seis velocidades (2.0 S) como nas com câmbio Xtronic CVT (2.0 SV e 2.0 SL).

Na cidade (Belo Horizonte, com sua topografia desfavorável para boas médias de consumo), o Sentra SL CVT me surpreendeu, fazendo, com etanol, 6,7 km/l. Na estrada, com o mesmo combustível, média de 9,4 km/l – números sempre com o ar-condicionado ligado. Por ser 2.0 e automático, achei a média bastante aceitável – pena que não pude ficar mais tempo com o modelo para testá-lo com gasolina.

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Faróis de LED são legais

Acabamento, conforto e espaço

Como comentei antes, o Sentra tem espaço interno muito bom (dentro do esperado para a categoria), graças, especialmente, à sua distância entre-eixos de 2,70 m. Cinco pessoas viajam com conforto, embora o passageiro central do banco traseiro sofra com o assoalho mais alto (diferente do Civic, que tem assoalho plano).

Compras à passeio

Quem também vai muito bem são as bagagens, já que o porta-malas tem 503 litros da capacidade. O volume parece até maior do que o declarado, mas não consegui fazer uma aferição própria. Imaginem se tivesse sistema pantográfico? O espaço é tão bom que, se o porta-malas não estiver muito cheio, as malas e, principalmente, as compras ficam “passeando”. Uma rede para prender os objetos (de série) seria muito bem vinda.

Chão irresistível

O ponto que chamou a minha atenção negativamente no porta-malas – na traseira como um todo – foi o excesso de raspadas nos chão. Mesmo com o carro vazio, o carro “sentou no chão” mais de uma vez, até mesmo em saídas de garagem onde nunca tinha raspado nenhum carro. Quem “beijava o asfalto” era o gancho traseiro, que aparentemente estava amassado para baixo (veja na galeria de fotos abaixo).

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Espaço no porta-malas do Sentra parece ser maior do que os 503 litros

Conforto

O conforto para os ocupantes é ampliado pelo acabamento bem-feito (também dentro do esperado para a categoria). As peças tem boa qualidade e não apresentaram rebarbas ou problemas de encaixes aparentes. Para o motorista, encontrar uma posição de dirigir foi bem fácil graças aos ajustes de altura do banco e de altura e profundidade do volante. Um ajuste lombar do encosto do banco seria bem-vindo.

Sempre o teto solar

Para os motoristas mais altos, com mais de 1,95 m, como é o meu caso, a cabeça vai bater no teto no banco da frente por causa do teto solar, que rebaixa o teto do veículo (o mesmo acontece no Civic EXR). Mas isso não atrapalha muito a boa posição de dirigir (a não ser que você tenha mais de 2 m) e o bom espaço para os ocupantes.

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Espaço traseiro é bom, mas assoalho poderia ser totalmente plano

Cruise control

O volante é multifuncional e conta com os comandos do computador de bordo, do sistema de som, do telefone (para conexão via bluetooth) e do piloto automático. Falando nesse dispositivo, seu funcionamento poderia ser melhor. Falta um aviso que mostre que o cruise control está ativado. Ao ligarmos o sistema pelo botão ON/OFF, uma luz verde se acende no painel; mas, ao ativarmos piloto automático (com a tecla SET), não sabemos se ele foi ligado ou não, pois uma segunda luz não se acende no painel (como acontece com o Civic).

Painel

Assim como o seu visual externo, o painel do Nissan Sentra SL é bonito, tradicional e (muito importante) funcional, com destaque para a tela de 5,8″ no centro (exclusivo da versão SL). A leitura dos instrumentos é boa, mas senti falta de um velocímetro digital, para complementar ao analógico. Entre os instrumentos, a tela do computador de bordo exibe algumas informações úteis ao motorista, com destaque para o “econômetro”, que ajuda o motorista a dirigir de forma mais econômica.

Detalhes

Ainda no interior, alguns pequenos detalhes poderiam ser revistos pela Nissan. Um deles é o apoio de braço central dianteiro que, assim como o do Civic, poderia deslizar para frente (basta colocar um trilho), aumentando a amplitude do apoio (facilitando para os extremos: motorista mais altos e mais baixos).

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Interior tem acabamento compatível com a categoria

Acessórios que deveriam ser de série

Também seria bem-vindo ter sistema one touch (para subir e descer) em todos os vidros (pode ser instalado na concessionária, conforme alguns internautas me informaram, como o Belmiro Silva), assim como fechamento dos vidros e do teto solar com o acionamento do alarme – itens esperados para um carro dessa categoria.

Mais uma inclusão interessante seria uma luz no botão da trava elétrica localizado na porta do motorista (item presente em carros de segmento inferior). A noite, ele fica quase invisível (parece bobagem, mas faria diferença).

Ainda sobre a iluminação, acho que a luz de leitura dianteira poderia ser mais ampla. Seu foco é bom, mas seria interessante se os bancos dianteiros pudessem ter a opção de ficarem um pouco mais claros.

Preços e equipamentos

A versão SL é a topo de linha do Sentra no Brasil. Embora não seja barato, seu preço sugerido deveria ser referência para toda a categoria (juntamente com os do Peugeot 408 e Citroën C4 Lounge). Digo isso porque o valor de R$ 73.490 é mais baixo do que os preços das versões intermediárias do Honda Civic (LXR) e do Toyota Corolla (XEi) – ambas 2.0.

A diferença de R$ 12.000 (ou R$ 19.410 no caso do novo Toyota Corolla 2015) compensa a desvalorização um pouco mais elevada em relação aos líderes do segmento e também possibilitam pagar o IPVA e o seguro. Caso a sua preocupação seja com as revisões, a Nissan trabalha com valores fixos.

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Botão push start para ligar e desligar é um item de série

Equipamentos – Nissan Sentra S

Por sugeridos R$ 62.190, o Nissan Sentra S, o de entrada, com motor 2.0 16V e câmbio manual de seis marchas, chega ao Brasil importado do México com três anos de garantia e vem equipado, de série, com abertura e fechamento das portas, abertura do porta-malas e acionamento do alarme através de controle remoto, acabamento dos bancos em veludo na cor preta; alarme de advertência sonoro para chave no contato e lanternas acesas; ar-condicionado; banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido 60/40, dobrável (180 graus); chave inteligente presencial (I-Key), computador de bordo (medição de consumo médio, tempo de viagem, velocidade média, autonomia, temperatura externa e aviso de abertura das portas); console central dianteiro com tampa e apoio de braço integrado, controle de áudio no volante; desembaçador do vidro traseiro com temporizador; direção elétrica com assistência variável; display digital de quilometragem total e parcial e mensagens de alerta; retrovisores externos rebatíveis, com luzes indicadoras integradas e com regulagem elétrica; sistema eletrônico de ignição (botão push start); sistema de partida a frio Flex Start; tomada de 12V integrada ao console central; vidros dianteiros e traseiros elétricos sendo função um toque para vidro do motorista; volante com acabamento em couro regulável em altura e profundidade, maçanetas externas e internas das portas cromadas; rodas de liga leve de 16” e pneus 205/55 R16; faróis e lanternas traseiras em LED, airbags frontais para motorista e passageiro; faróis de neblina; alarme perimétrico; apoios de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes; freios ABS com controle eletrônico de frenagem (EBD) e assistência de frenagem(BA); fixadores traseiros para cadeiras de crianças (ISOFIX); trava elétrica com travamento das portas e do porta-malas com o veículo em movimento; rádio CD Player com MP3, função RDS e 4 alto-falantes bluetooth com comandos no volante, entre outros.

Equipamentos – Nissan Sentra SV

A versão intermediária é a SV, disponível exclusivamente com câmbio automático CVT, tem preço sugerido de R$ 67.390. Ela tem os itens da S além ar-condicionado automático digital de duas zonas; dois porta-copos traseiros integrados ao descansa braço; controlador automático de velocidade de cruzeiro (piloto automático); luz de leitura para motorista e passageiro dianteiro; rádio CD Player com MP3 com display 4,3″ colorido, função RDS, entrada auxiliar para MP3 Player/IPod, USB no console central e 6 alto-falantes.

Equipamentos – Nissan Sentra SL

Já o Sentra SL, o mais refinado (carro testado pelo De 0 a 100), tem todos os equipamentos listados acima com a adição de revestimentos dos bancos em couro na cor preta (com partes sintéticas); airbags laterais e de cortina; acendimento automático dos faróis (sensor crepuscular); retrovisores externos rebatíveis eletricamente; retrovisor interno eletrocrômico; teto solar com controle elétrico; rodas de liga leve de 17″ e pneus 205/50 R17; sensor de estacionamento; rádio CD Player com MP3 com display 5,8″ colorido, função RDS, entrada auxiliar para MP3 Player/IPod, USB no console central, e 6 alto-falantes; câmera traseira com imagem integrada ao display do rádio e sistema de navegação integrado ao painel (GPS).

GPS

O GPS foi uma agradável surpresa. Ao ligar o carro, imediatamente ele encontrava sinal e começava a funcionar. Mesmo em cidades do interior de Minas Gerais, ele encontrou as ruas e avenidas, me levando aos lugares sem problemas. Só não consegui desligar o GPS depois (a navegação sim), mesmo olhando o manual do carro.

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Teto solar é exclusivo do Nissan Sentra SL

Resumo da obra

Fazendo uma análise bem pessoal e específica da linha Sentra, por causa da minha altura, eu não compraria a versão SL por um único motivo: teto solar. Por causa dele, bato a cabeça no teto no banco do motorista, o que não acontece em nenhuma outra versão. Eu também não faço questão das rodas de 17”, que considero inadequadas para as ruas brasileiras.

Eu ficaria com o Sentra SV, mas eu sentiria muita falta dos airbags laterais e de cortina, dos retrovisores rebatíveis eletricamente e da tela de 5,8” com todas as suas funções – itens que poderiam ser opcionais para a versão SV.

Analise ampla

Mas, como sei que sou fora dos padrões, prefiro valorizar a análise mais ampla. Com a sua nova geração, o Nissan Sentra deve ser levado em consideração por qualquer comprador de um sedã médio. Ele está acima da média em praticamente todos os quesitos, com destaque para o câmbio Xtronic CVT, um dos melhores da categoria (mesmo sem trocas sequenciais).

Se você for comprar um automóvel dessa categoria e só considerar os populares Honda Civic e Toyota Corolla, lembre-se que você terá carros bons e “gostosos”, como os sorvetes de creme e chocolate. Mas, não se esqueça de que experimentar algo novo pode fazer uma grande diferença na sua vida, com novas sensações e possibilidades – algo que o Nissan Sentra é capaz de fazer.

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