Um companheiro de horas felizes e tristes; de tranquilidade e apertos; de viagens e deslocamentos; sempre sem reclamar e sem nunca ter me deixado na mão. Assim posso definir o meu ex-carro Chevrolet Astra Elegance hatch, que acabou de ser vendido. Como vocês poderão ver, o post ficou muito grande (com certeza um dos mais longos da história do De 0 a 100), mesmo depois de dois cortes. Mas isso só mostra como eu gostei do carro e vou sentir falta dele.
Quem quiser participar do Impressões, como o Leônidas, o Rafael, o Jow, o Hugo, o Bruno, o Joathan, o Leônidas (de novo!), o Hugo Leite, o Pedro, o Piauí Jr., o Renato Dantas, o Mário Cesar, o Mário Cesar (de novo!), o Renato Dantas (de novo!), o Joathan (de novo!), o José Barbosa Júnior e o Jefferson de Oliveira, basta enviar um e-mail para [email protected]. Fale um pouco sobre o seu carro. Descreva os pontos positivos, negativos e conte alguma coisa curiosa! E não se esqueça de mandar fotos do veículo (só serão publicados posts com fotos). Garanto que a placa (ou algum outro detalhe) não será mostrada.
Por que o Astra?
Minhas história com o hatch médio da GM começou muito antes de comprá-lo. No ano 2000 resolvi começar a juntar dinheiro para comprar um carro. O primeiro que veio à minha cabeça foi um Astra, pois, como já comentei inúmeras vezes, sem gostei de hatches médios.
Com o passar dos anos, passei a estudar ainda mais o mercado e, em 2004, comecei a cobrir jornalismo automotivo, testando, oficialmente e profissionalmente, meus primeiros carros. Foram inúmeros veículos testados, de Volkswagen Fox 1.0, que entrava água por todos os lugares, até um belo Lexus LS 430 e uma Mercedes-Benz SL 500 conversível, ambos nos Estados Unidos. Mas, dentro da minha realidade e necessidade, o Astra sempre se manteve firme na liderança da minha preferência.
Em 2007, consegui juntar R$ 50.000 para comprar um carro a vista. Foi então que comecei a pesquisar e avaliar propostas mais concretas. Eu precisava de um carro com bom espaço interno (sou muito alto), porta-malas mediano e que não fosse 1.0, sempre mantendo o máximo nível de segurança que 50 mil pudesse comprar. Depois de muitas horas de pensamento, análise e testes, dois carros chegaram na “final”: Volkswagen Polo e Chevrolet Astra.
Consegui um excelente negócio num Polo, com R$ 6.000 de desconto, além de IPVA e emplacamento pagos e dois “brindes” que deveriam ser de série: tapetes e peito de aço. Mas, a caminho da concessionária, desisti do negócio por um simples motivo: eu não seria feliz com o Polo. Pensei: “7 anos querendo um Astra e eu vou comprar um Polo?”. Dei meia volta com o meu Santana 1.8 e fui novamente negociar o Astra, sempre em Belo Horizonte.
Negociação
Visitei a Jorlan e a Orca, que me fizeram ofertas ridículas. Fui então à LiderBH, onde consegui um preço mais honesto no Astra Advantage hatch 2007/2007 preto, com airbag duplo: R$ 48.000. Entrei novamente no carro e, de novo, não gostei do acabamento. Fiquei chateado. Resolvi então perguntar para a excelente vendedora Marcia Azi sobre o Astra Elite, que custava mais de R$ 62.000. Antes dos detalhes, ela me falou então da versão Elegance. O carro custava R$ 57.800, prata Polaris, quatro portas, com airbag duplo e R$ 61.800 nas mesmas condições, somando o ABS – muito além do valor que eu podia gastar.
Foi então que ela me disse que poderia fazer o carro por R$ 55.000, com airbag duplo, mas sem ABS. Comecei a ficar mais animado. Conversa vai, conversa vem, o valor desceu para R$ 54.000. Eu disse a ela que, se o valor abaixasse para R$ 53.000, eu fechava o negócio. Depois de dois dias de espera, ela me ligou e disse que o gerente tinha autorizado o negócio. Resultado final: Astra hatch Elegance prata, com airbag duplo, por R$ 53.000.
Mas eu não estava satisfeito. Liguei então para GM e eles me deram uma carta bônus. Na época, a carta para o Astra Advantage era de R$ 450. Para o Elegance, o valor subia para R$ 2.000. Com isso, o preço abaixou para R$ 51.000 (com o emplacamento, peito de aço e tapetes incluídos). Foi então que veio mais uma boa notícia: meu Volkswagen Santana tinha sido vendido pelo preço da tabela Fipe – acabei conseguindo mais do que o que eu esperava. Fazendo os cálculos, o Astra Elegance saiu por R$ 49.000.
Lembram das malditas formigas? Elas apareceram no Astra!
O carro
Busquei meu Astra novo no dia 17 de abril de 2007. Abasteci o carro com etanol e o tanque de partida a frio com gasolina Podium, mesmo com o frentista erroneamente me dizendo que o primeiro tanque do carro deveria ser de gasolina.
O conforto da versão Elegance era muito superior ao do Advantage. O acabamento era de veludo, fazendo os bancos ficaram consideravelmente mais confortáveis. Além da direção hidráulica e do trio elétrico, o Elegance tinha ainda ar-condicionado eletrônico digital com controle automático, faróis de neblina, regulagem elétrica de altura dos faróis, espelho retrovisor interno eletrocrômico, banco traseiro bi-partido, limpador automático do vidro traseiro quando os limpadores dianteiros estão acionados e se engata a ré, e cinto de três pontos para todos os ocupantes. Coloquei ainda quatro acessórios no modelo: película anti-vandalismo, revestimento do volante em couro, módulo de som para ligar um MP3 Player e, um ano depois, sensor de estacionamento.
Chevrolet Astra Elegance tinha ar-condicionado digital
Desempenho
Tanto na cidade, quanto na estrada, vazio ou totalmente carregado, não tenho do que reclamar do desempenho do Astra. Os 121 cv com gasolina e 128 cv com etanol do motor 2.0 8V Flexpower eram mais do que suficientes para um automóvel de apenas 1.180 kg de peso (vejam como o Bravo e o Focus são gordos). A força de 18,3 mkgf de torque com gasolina e 19,6 kgfm com etanol tornavam a condução do veículo uma diversão.
Quando eu rodava distâncias de até a 350 km (ida e volta) ou quando estava com o carro muito carregado (também para percursos de até 350 km), sempre optava pelo etanol no tanque. A diferença de desempenho era notável. Já voltei de Tiradentes (MG) para Belo Horizonte, com cinco ocupantes e muita bagagem, sem enfrentar nenhum tipo de problema nas ultrapassagens. O ganho de 7 cv de potência e 1,3 kgfm de torque eram realmente notáveis. Com gasolina, o desempenho também era muito bom, mas inferior.
Por outro lado, com gasolina, a autonomia aumenta consideravelmente. Com um tanque de etanol, já rodei 464 km com o ar-condicionado ligado (indo de Belo Horizonte a São Paulo, a 110 km/h). Abasteci quando a luz do painel começou a piscar. Com gasolina, quando a luz começou a piscar, eu já tinha rodado 648 km, somando a distância de São Paulo a Belo Horizonte (a 110 km/h) com os trechos urbanos dentro das duas cidades.
Consumo
Sobre o consumo, na cidade, a média ficava na casa de 6,7 km/l com etanol e 7,8 km/l com gasolina – em BH, rodando 60% do tempo sozinho e com o ar-condicionado ligado (isso depois das dicas de como fazer o carro beber menos – antes a média era de 6,3 e 7,4). Em São Paulo, a média foi de 7,2 km/l com álcool e 8 km/l com gasolina, quase sempre rodando sozinho, fora dos horários de pico e com o ar-condicionado ligado. Na estrada, quando rodei as distâncias acima, o carro fez média de 9,8 km/l com etanol e 13,8 km/l com gasolina. Mas, no trajeto de Belo Horizonte a São João Del Rei (MG), com velocidade variando entre 80 km/h e 90 km/h, com gasolina, a média foi de 14,9 km/l (com três pessoas, porta-malas lotado e ar-condicionado ligado o tempo todo).
O motor 2.0 Flexpower realmente é ultrapassado e deixa a desejar em diversos aspectos. Mas não posso negar que ele sempre funcionou muito bem comigo. Considero o desempenho do meu (ex) Astra muito bom e a média de consumo boa.
| Foto do atual motor 2.0 Flexpower, que tem o X verde (o meu era vermelho). Credito: Chevrolet/Divulçação |
Subestimado
Outro ponto que eu gosto do Astra é a sua estabilidade na estrada. Ele sempre teve comportamento exemplar nas curvas. Claro que não dá para abusar, pois ele tem tendência a sair de frente. Mas dou meus parabéns para a engenharia da Chevrolet pelo acerto de suspensão.
Durante minhas inúmeras viagens, enquanto eu percebia que o Astra era realmente estável, um aspecto sempre me chamou a atenção: como vários outros motoristas subestimavam o Astra. Não sei se eles não sabiam que o carro era 2.0 ou se eles eram simplesmente estúpidos (mais provável). O fato é que vários tentavam me passar como se eu não tivesse andando bem (no limite da via) ou tivesse a bordo de uma carroça, atrapalhando o trânsito.
Num trecho bastante sinuoso da estrada entre Belo Horizonte e São João Del Rei (depois de sair da BuRaco 040), um Corolla 1.8 tentava me passar de todas as formas, incluindo curvas e pontes. Como eu estava com etanol, durante uma subida, não tive dúvidas: pé embaixo e tchau Corolla. Só no meio da descida ele colou novamente na minha traseira, fazendo a ultrapassagem em faixa continua depois de uma curva.
Nas minhas indas e vindas de São Paulo para Belo Horizonte já observei isso mais vezes. Vários motoristas não tomavam conhecimento do Astra e “partiam para cima com tudo”. Mas a maioria era “cachorro que só late”: carros que só andam mesmo em descidas e retas (depois de embalar). Diferente deles, nas subidas, não importava a situação, lá estava o Astra, firme e forte, sem perder velocidade.
Para finalizar, uma vez tive problemas para ultrapassar um Honda Civic, na mesma estrada onde o Corolla me importunou, só que no sentido oposto. O motorista do sedã japonês era daqueles que acelerava junto com o carro que estava tentando ultrapassá-lo. Durante uma subida em reta, com ultrapassagem permitida, vinda de uma curva para a direita, reduzi de quarta para terceira marcha, pisei fundo no acelerador e percebi minha velocidade subir com entusiasmo. Quando o Civic resolveu animar, com seu motor 1.8 16V, mais da metade do Astra já estava na frente dele. E o Astra queria mais, só que finalizei a ultrapassagem e tirei o pé por questões de segurança.
Problemas
Mas, convivendo muito tempo com o mesmo carro, acabamos descobrindo alguns defeitos. No Astra, apenas três aspectos me incomodaram. O primeiro deles é o banco do motorista. Mesmo com ajustes de altura e lombar, depois de 2h seguidas dirigindo, eu começava a sentir dores nas costas e na perna esquerda, na altura do quadril. A minha altura contribuiu para isso, mas a concepção do banco, de 1998, foi realmente a grande responsável pelo problema.
As outras duas questões foram defeitos de fábrica que me incomodaram. Um deles foi na embreagem. Quando o Astra tinha apenas 15.000 km rodados, passei a ter dificuldades para arrancar, porque a embreagem estava “alta” demais. Levei o carro na concessionária LiderBH e reclamei. Um teste bastante limitado foi feito e me disseram que todos sistema deveria ser trocado, com o preço orçado em R$ 2.000, fora a mão de obra. Inconformado com a situação, tirei o carro da concessionária e liguei para a Chevrolet, para reclamar. Depois de muitas conversas, levei o veículo novamente numa concessionária, dessa vez a Jorlan. Deixei o carro lá para os testes. No dia seguinte o veículo estava pronto, com o custo da manutenção definido: R$ 0. Uma espécie de mola havia quebrado e foi substituída em garantia (mesmo com o fim da garantia do carro). O consultor técnico me disse que a embreagem estava praticamente como a de um carro 0 km.
Escrevi uma carta formal de reclamação à LiderBH, que demorou quase 2 meses para me responder. Como eles entraram em contato comigo na época da revisão anual do veículo, eles me pediram para levar o carro lá novamente, para eles demonstrarem que eu poderia ter confiança novamente no trabalho deles. Depois de muito pensar e de várias ligações e pedidos, levei novamente o carro lá para fazer a revisão. Além dos itens do manual, pedi que eles consertassem o outro defeito que me incomodava bastante, que eu já tinha reclamado na revisão de um ano do Astra, e que não foi arrumado porque o consultor disse que era “normal o barulho”: a trava elétrica do porta-malas. Ela parou de funcionar e fazia um ruído insuportável.
No final das contas, o preço da revisão ficou muito bom (depois de ganhar um desconto de “desculpas”) e todos os defeitos foram sanados. O melhor de tudo foi ter conhecido um excelente consultor técnico, Gildson, que, desde então, cuidou muito bem do meu carro. Eu levava o carro única e exclusivamente na concessionária, quando eu precisava, exatamente por confiar no trabalho do Gildson.
Por que vender?
Por que então você resolveu vender o carro? Essa é uma pergunta que eu ainda me faço, mas que eu tenho duas respostas satisfatórias e verdadeiras. A primeira, e mais importante, é a segurança. Meu Astra não tinha ABS e o habitáculo era menos protegido por causa da concepção do projeto, de 1998. Já passei um aperto feio pela falta do ABS, quando um caminhão cegonha perdeu o controle na minha frente na estrada. Além disso, o passageiro central do banco traseiro não tinha encosto de cabeça.
A outra resposta é mercadológica. Se os rumores se confirmarem, 2011 é o último ano do Astra no mercado nacional. Quando ele sair de linha, todos os modelos devem sofrer uma desvalorização extra. Logo, para perder menos dinheiro, optei por vendê-lo.
Resumo da obra
O Chevrolet Astra Elegance é um carro que vou sentir muita falta. Seu espaço interno sempre me atendeu, assim como a capacidade do porta-malas. O conforto era bom e o acabamento honesto. Já o motor 2.0, mesmo com a idade avançada, casou muito bem com o carro, garantindo ultrapassagens seguras e média de consumo que posso considerar boa. Se a Chevrolet resolvesse parar com a bobagem de não oferecer ABS para o Astra, eu até cogitaria (muito) em comprar um novo Astra. Mas como a marca não fez isso, só daqui a alguns anos poderei ter outro Chevrolet (talvez um Cruze Sport6).
Fotos: Renato Parizzi e Fabrício Quintão/arquivo pessoal
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