Fiquei boa parte do dia ontem pensando no que escrever sobre o “novo” Chevrolet Agile 2014. Praticamente tudo que eu tinha para dizer eu falei no post da primeira divulgação da marca sobre o veículo e no outro post com as imagens feitas na Argentina. Para tentar não repetir muita coisa, serei breve por aqui, usando novamente apenas uma das minhas percepções sobre o hatch: como dar uma sobrevida a um carro fadado ao “não sucesso”? Esse é o grande desafio da General Motors com o Agile 2014.
Pelo menos a GM se esforçou. O primeiro ponto que chama a atenção na linha 2014 do Agile é o seu visual. A dianteira recebeu uma bem-vinda reformulação, ficando mais proporcional com a adoção de novos faróis, para-choques e grade. Só não gostei muito da linha preta que corta a placa – mas, sem dúvida, o conjunto frontal ficou bem melhor. Na traseira, novas lanternas e um novo parachoque foram as alterações, enquanto as laterais tem novas rodas (195/55 R16) com pneus “ecológicos” de aro 16″.
Mecanicamente, a única mudança da linha 2014 está no câmbio. A segunda geração da transmissão manual de cinco velocidades F1X conta com um novo conjunto de sincronizadores e com novas relações de marchas, possibilitando ao motorista, segundo a marca, engates com menor esforço e mais prazer ao dirigir. A marcha à ré agora é sincronizada.
Para o contra-indicado câmbio manual automatizado Easytronic, a novidade bem-vinda são os paddle shifts atrás do volante para as trocas de marcha – algo novo para o Agile, mas que já existe para os principais concorrentes automatizados há anos. Tomara que a GM coloque as borboletas também nos seus veículos automáticos, pois os botões localizados no câmbio para as trocas são péssimos.
Por dentro, a linha 2014 do Agile tem um novo e bonito volante, com design mais esportivo, com a base achatada, e que integra controles do controlador da velocidade de cruzeiro (cruise control) do lado esquerdo e os comandos do rádio e do telefone do lado direito. O compacto conta ainda com novos mostradores, novos grafismos e molduras no painel, além de novos tecidos para os bancos e painéis das portas.
Vendido exclusivamente na versão LTZ, o Agile 2014 tem como equipamentos de série ar-condicionado, coluna de direção regulável em altura, controlador de velocidade de cruzeiro (cruise control), direção hidráulica, acendimento automático dos faróis, computador de bordo, nova chave tipo canivete, novo rádio com CD/MP3 Player, leitor USB, Bluetooth, reconhecimento de voz e discagem automática do celular, entrada auxiliar frontal; computador de bordo com 6 funções: consumo médio (km/l), consumo total (km/l), velocidade média (km/h), autonomia (km), temperatura externa (°C) e hora (relógio); banco do motorista com regulagem manual de altura; lavador, limpador e desembaçador do vidro traseiro; trio elétrico; faróis de neblina; airbag duplo, freios ABS com EBD; entre outros itens.
O motor 1.4 8V Econo.Flex é o mesmo (nada de SPE/4, como Onix e Prisma): desenvolve 97 cv de potência a 6.000 rpm e 13,2 mkgf de torque a 3.200 rpm com gasolina e 102 cv e 13,5 mkgf com etanol nas mesmas rotações.
Em termos de preço, infelizmente o Agile LTZ 2014 ficou mais caro em relação à linha LTZ 2013. A versão manual tem preço sugerido de R$ 42.990 (R$ 42.320 a 2013) e a manual automatizada Easytronic de R$ R$ 45.490 (R$ 44.520 a 2013). A pintura metálica custa R$ 1.000.
Vale a pena comprar um Agile 2014?
Se você gosta do Agile, saiba que a sua linha 2014, sem dúvida, é a melhor do modelo desde o seu lançamento em 2009. Por isso, vale a compra se você gostar mesmo do veículo – mas opte pela versão manual, que, além de ser mais barata, tem conjunto mais atraente do que a automatizada Easytronic.
Se você gosta do carro, mas tem alguma dúvida (mesmo que pequena) sobre a compra, então não compre. O cada vez mais caro Onix (estamos de olho Chevrolet!) é mais moderno, confortável, bonito (avaliação subjetiva) e com uma solução mecânica superior (motor 1.4 SPE/4 e câmbio automático de seis marchas) – sem dúvida é um produto melhor e mais duradouro. Já comparei o Onix e o Agile num Duelo aqui no De 0 a 100.
Se a melhor opção “dentro de casa” não for um argumento suficiente, lembre-se que o Agile representa, ao mesmo tempo, a velha e a nova Chevrolet. Por isso, as mudanças da linha 2014 devem ser as (primeiras e) últimas do modelo, que, segundo fontes, morre até 2016. Valeria manter um produto mais velho e inferior (em relação ao Onix) no mercado?
Chevrolet Agile 2014: mesmo melhor, mas diferente de outros tempos, o seu “não sucesso” (termo distinto de insucesso) está praticamente garantido.
- Chevrolet Agile LTZ 2014
- Dianteira ficou bem melhor
- Chevrolet Agile LTZ 2014
- Traseira mudou pouco
- Chevrolet Agile LTZ 2014
- Linha preta que corta a placa não me agrada
- Lateral continua feia
- Volante novo é bonito e prático
- Paddle shift: novidade da versão Easytronic
- Boa solução: banco do passageiro reclina
- Passageiro central traseiro se deu mal
- Painel tem novo grafismo















