É inegável que a Honda é um das marcas que produz carros com qualidade incontestável. Seus modelos quase sempre viram referência para os respectivos segmentos, brigando e, na maioria das vezes, alcançando a liderança da categoria. A Honda consegue sempre um acerto mecânico excelente, garantindo muito conforto, segurança e qualidade ao rodar com o veículo.
Mas, ultimamente, a Honda tem brincado demais com o brasileiro. Tudo bem que isso não é só culpa dela, já que o consumidor escolhe pagar mais para ter um Honda. E também não é só a Honda que faz isso; várias outras marcas também. Mas bem que o fabricante japonês poderia ser mais respeitoso com os clientes em alguns aspectos.
Vejam a dupla City e Fit, que são vendidos na versão DX (o monovolume acabou de chegar as lojas). Ao invés de reduzir oficialmente os preços dos seus modelos, a Honda preferiu deixá-los menos equipados. Em relação ao LX, que tem preço sugerido de R$ 57.420 (regiões sudeste, sul e centro-oeste), o City DX perdeu sistema de som e bandeja sob o assento traseiro, ficando exatamente R$ 2.000 mais barato. Já o Fit DX vem com calotas no lugar das rodas de liga-leve e sem sistema de som, tudo por R$ 51.805.
Uma economia ridícula por parte da Honda. As versões DX não deveriam existir, e todas as outras deveriam custar exatamente o que a inferior custa. Ou seja, o City LX deveria custar o preço do DX; o EX deveria ter o valor do LX; e o EXL deveria ser encontrado pelo preço do EX. O mesmo vale para o Fit, vairando apenas as versões. Assim, o consumidor pagaria menos e teria um modelo mais equipado, tornando a Honda ainda mais competitiva no mercado
Honda City
R$ 55.420 (DX MT)
R$ 59.300 (DX AT)
R$ 57.420 (LX MT)
R$ 61.300 (LX AT)
R$ 62.975 (EX MT)
R$ 66.855 (EX AT)
R$ 66.780 (EXL MT)
R$ 72.625 (EXL AT)
Honda Fit
R$ 51.805 (DX MT)
R$ 55.805 (DX AT)
R$ 54.905 (LX MT)
R$ 58.905 (LX AT)
R$ 57.860 (LXL MT)
R$ 61.885 (LXL AT)
R$ 61.715 (EX MT)
R$ 65.720 (EX AT)
R$ 65.660 (EXL MT)
R$ 71.720 (EXL AT)
Exemplo prático
Os modelos da Honda não são mal equipados, mas poderiam contar com muito mais itens de série, incluindo dispositivos que até carros que custam metade do preço já tem de fábrica. Resolvi pesquisar a fundo uma das versões do aclamado Honda Civic, a LXL automática – umas das mais vendidas atualmente.
O modelo vem equipado, de série, com câmbio automático de cinco marchas (com paddle shit), airbag duplo, freio a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, direção com assistência elétrica progressiva (EPS), trio elétrico, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, coluna de direção regulável em altura e profundidade, controle de áudio e do piloto automático no volante, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes; e rádio AM/FM/CD/MP3/WMA com sistema anti-roubo, quatro alto falantes e tomada P2. É lista realmente muito boa, mas que deixa bastante a desejar.
Além desses equipamentos, o que esperar de um Civic com preço sugerido de R$ 72.165? A começar pelo computador de bordo, um item de série no Chevrolet Agile LT (R$ 36.116) e no Palio ELX (R$ 29.150). O que dizer então dos faróis de neblina, um equipamento de série no Fiat Palio Essence (R$ 36.860).
Não podemos nos esquecer da conexão Bluetooth para celular e da entrada USB que a Fiat vende como opcional para o Palio ELX 1.0: com os equipamentos, o modelo custa sugeridos R$ 31.265.
Ace$$ório$
Além dos preços sugeridos muito altos para seus modelos, a Honda também cobra o olho da cara pelos acessórios. No site de acessórios da marca podemos ver os preços sugeridos para os equipamentos “originais Honda”. Vejam os valores de alguns deles:
Protetor de Carter (peito de aço): R$ 90
Kit Bluetooth para celular integrado ao sistema de som do veículo: R$ 1.008
Kit ultra som – detector de movimento que é integrado ao alarme: R$ 447
Sensor de estacionamento traseiro: R$ 673,50
Faróis de neblina: R$ 1.333,50 (a Fiat vende por R$ 267 para o Palio)
Um detalhe importante: os preços acima não incluem a mão de obra! Resolvi então pesquisar os valores verdadeiros nas concessionárias. Liguei para seis delas em São Paulo e vejam o que encontrei, incluindo mais um item muito procurado: película anti-vandalismo. Os preços abaixo são para pagamento a prazo, existindo pequena diferença nos valores a vista.
Honda HVille
Sensor de estacionamento: R$ 650 (sensor paralelo)
Película anti-vandalismo: R$ 1.300 (por R$ 990 no “preço promocional”)
Kit Bluetooth para celular – original Honda: R$ 1.170
Protetor de cárter: R$ 176
Honda HPoint
Sensor de estacionamento + película: R$ 1.500 (sensor paralelo)
Película anti-vandalismo: R$ 790
Kit Bluetooth para celular – original Honda: R$ 1.180
Honda Daitan
Sensor de estacionamento: R$ 700 (R$ 1.250 dianteiro e traseiro / R$ 1.300 traseiro com câmera)
Película anti-vandalismo: R$ 1.950
Kit Bluetooth para celular – original Honda: R$1.250 (o paralelo custa R$ 1.900)
Honda Flora
Sensor de estacionamento: R$ 855,50
Película anti-vandalismo: R$ 750
Kit Bluetooth para celular – original Honda: X
Honda Dealer
Sensor de estacionamento: R$ 500 (sensor paralelo)
Película anti-vandalismo: R$ 790
Kit Bluetooth para celular – original Honda: R$ 1.200
Honda SP Japan
Sensor de estacionamento: R$ 500 (sensor paralelo)
Película anti-vandalismo: R$ 800
Kit Bluetooth para celular – original Honda: R$ 1.213
Achei melhor nem perguntar o preço dos faróis de neblina, tamanho absurdo cobrado pelas concessionárias nos acessórios. Um detalhe sobre o caro Kit Bluetooth para celular “original Honda” (acima). Um botão é instalado na coluna do veículo e o dispositivo usa o sistema de som do veículo para auxiliar na conversa. Mas, segundo o funcionário da Daitan, o kit original não mostra quem está ligando no rádio do veículo, ou seja, não tem identificador de chamadas, forçando o motorista a olhar a tela do celular. O ideal mesmo é que o motorista não atenda ao telefone enquanto estiver dirigindo. Mas, se o que o vendedor disse for verdade mesmo, a Honda cobra um absurdo por um equipamento incompleto.
Por sugeridos R$ 72.165, o Honda Civic LXL automático deveria ser equipado, de série, pelo menos, com sensor de estacionamento “original Honda”, kit Bluetooth para celular integrado ao som “original Honda”, sensor de presença integrado ao alarme (acima), sistema que faz os vidros do carro subirem ao acionar o alarme, faróis de neblina e protetor de cárter.
A Honda produz excelentes carros – é fato. Mas confesso que considero vergonhoso para a marca vender um carro da categoria do Civic sem os equipamentos acima. Quem sabe com o Civic 2012 a Honda não melhore consideravelmente a relação custo/benefício do seu sedã médio?







