Fico feliz em receber mais um carro para o Impressões do De 0 a 100! E temos a presença do primeiro veículo da Peugeot na seção! Trata-se de um 307 hatch, único da marca que me atrai de verdade no mercado brasileiro, e que considero o melhor da gama de automóveis da Peugeot por aqui. Quem também gosta muito do carro é o Pedro Fialho, feliz proprietário do veículo e que sabe absolutamente TUDO sobre o seu 307!
Quem quiser participar do Impressões, como o Leônidas, o Rafael, o Jow, o Hugo, o Bruno, o Joathan, o Leônidas (de novo!), o Hugo Leite e o Pedro, basta enviar um e-mail para [email protected]. Fale um pouco sobre o seu carro. Descreva os pontos positivos, negativos e conte alguma coisa curiosa! E não se esqueça de mandar fotos do veículo (só serão publicados posts com fotos). Garanto que a placa (ou algum outro detalhe) não será mostrada.
ANTES DA COMPRA
Em minha casa sempre fomos adeptos de carros italianos e alemães. Recentemente e antes de comprarmos o Peugeot, tivemos um Golf 2.0 ano 95 alemão e um Golf 2.0, geração anterior à que circula em nossas ruas, ano 2000. Éramos e continuamos apaixonados pelo Golf. Atualmente temos um 307 (que fica tanto em Vitória – ES e Belo Horizonte) e um Polo 1.6 (usado no serviço do meu pai, em Vitória).
No momento da troca, cogitamos adquirir ou um Honda Civic, Pajero TR4, outro Golf ou Peugeot 307. Tiramos a Pajero da jogada pelo fato do câmbio automático não possuir trocas sequenciais (ficamos um pouco preocupados quanto ao desempenho). O Civic saiu também porque, no mesmo preço do 307 topo de linha, o japonês é bem menos equipado. Restou outro Golf e o francês. Fomos à Volks conhecer o novo Golf 4,5 e, em primeira instância, a sensação era a de estarmos entrando no nosso carro de 6 anos atrás: praticamente nada mudou no interior. Por fora, deram um jeito brasileiro nas lanternas e não nos agradou tanto. A mecânica continuava (muito boa, por sinal) a mesma: era o velho motor de 116 cv.
Fomos, então, à Peugeot conhecer o 307 Griffe. Ficamos maravilhados com o interior do carro: nunca tínhamos entrado em um veículo com acabamento tão caprichado. Eu e meu pai, que gostamos do Civic, achamos o interior do 307 ainda mais acolhedor. Foi amor à primeira vista. Demos uma volta no carango para sentir o motor e o comportamento dinâmico: agradou tanto que no mesmo dia efetivamos a compra do Peugeot 06/07.
Os votos de confiança depositados no francês valeram a pena: até hoje, com quase 70.000 km, o carro não apresenta problemas.
ACABAMENTO E ESPAÇO INTERNO
O acabamento interno do carro é impressionante. Na faixa de preço não vi nada melhor (rivaliza com os novos i30 / Focus Guia e com Civic / Corolla / C4). A maioria dos botões são emborrachados. As portas possuem botões one touch. O console central, bem como o resto do interior do carro, não possui rebarbas. O parassol dos instrumentos, assim como o revestimento das partes “pretas” do painel, são todos macios. O volante e as portas possuem apliques em couro. Alguns porta objetos têm o seu fundo revestido por borracha, para evitar que algo deslize naquele local. A soleira das portas possui o logotipo da Peugeot. A pedaleira e o descanso para o pé são todos em alumínio. Tudo muito refinado.


À noite, a iluminação é outro aspecto interessante. As luzes alaranjadas são refletidas nos cromados dos mostradores e do câmbio automático. O colorido do A/C digital reflete nos detalhes imitando aço escovado. Conforme a foto, é realmente muito bonito. Estamos com quase 70.000 km e o carro não bate absolutamente nada.
O espaço interno, por sua vez, agrada muito. O veículo é largo e tem um bom entre-eixos (2,61m), mas se você for muito alto, não queira viajar no meio do banco traseiro (apesar de haverem encostos para cabeça e cintos de 3 pontos para todos os 5 ocupantes). Na frente sobra espaço (a cabine mais espaçosa que já tive oportunidade de entrar). Atrás ele poderia ser um pouco maior (talvez a Peugeot pudesse tirar um pouco dos 420L do porta-malas), melhorando a habitabilidade dos bancos traseiros.
EQUIPAMENTOS
Outro ponto que nos atraiu no momento da compra. O carro é ótimo para os desavisados.
- Possui sensores de abertura nas portas, capô e porta-malas. O sensor de estacionamento funciona bem e, por incrível que pareça, detecta obstáculos que passam na lateral das portas traseiras. Neste momento, um outro tipo de ruído é emitido (é necessário conferir em qual lado está o objeto).
- O piloto automático com comandos no volante funciona muito bem em regiões mais planas. Em aclives acentuados eu não recomendo, pois ele tenta, de qualquer maneira, andar sempre na velocidade escolhida.
- O sensor crepuscular é bem preciso. Dependendo da iluminação, ele liga os faróis e as luzes dos mostradores internos. Caso esteja um pouco mais claro que na situação anterior, ele liga somente os faróis. É interessante.
- O sensor de chuva funciona bem. Melhor que o sensor, na minha opinião, é o temporizador do limpador de pára-brisa indexado à velocidade do automóvel. Mesmo se você colocar a alavanca na posição 2 (a mais rápida), à medida que o carro vai diminuindo a velocidade, o tempo entre as passadas do limpador é reduzido, chegando quase a 0 no semáforo. Na hora de acelerar novamente, o limpador também é acelerado.
O computador de bordo (CB) é o melhor que já tive oportunidade de mexer. Por ele é possível ativar e desativar todas as funções dos sensores e regular o tempo em que o farol e as luzes do carro continuam acesos após sair do veículo. Possui quilometragem de destino decrescente; calcula duas velocidades médias e estima a autonomia, apresenta o consumo instantâneo, calcula duas médias de consumo (em uma dada quilometragem) e tem 3 odômetros parciais. É possível regular a iluminação do mostrador de acordo com a hora do dia. Qualquer defeito que o carro apresentar, mesmo sendo uma lâmpada queimada, é indicado no CB.
Os comandos de áudio estão presentes em uma borboleta atrás do volante e todos são gerenciados pelo computador de bordo. A disqueteira para 5 CDs funciona bem (aceita mp3), mas faz um barulhinho um pouco alto na hora da troca de discos. A minha crítica vai para a entrada USB: ela existe, dentro do porta-luvas, sendo necessário pagar R$ 300 pelo adaptador. A qualidade dos alto-falantes é satisfatória (os do Golf eram melhores). As funções de rádio são interessantes: é possível gravar várias estações no CB. A presença de ícones de áudio, funções e rádio no computador de bordo são legais.
O ar-condicionado digital é do tipo dual zone, é automático e possui sensor de qualidade do ar. Diante de fumaça, por exemplo, o sistema ativa a circulação interna. O recurso dual zone funciona, mas o ar dentro da cabine tende a atingir um equilíbrio térmico. Existe saída de ar embaixo dos bancos traseiros e no porta-luvas.
Bluetooth também integra a lista de equipamentos. É possível conectar 4 telefones ao carro e transferir as suas agendas telefônicas. Existe um microfone próximo ao comando do teto solar. O áudio sai pelos alto-falantes e o nome da pessoa ou o número do telefone que está te ligando é identificado pela tela do CB.
Alguns mimos adicionais fazem diferença. O carro possui fechamento automático do teto solar, vidros e dos retrovisores (o último configurável). O retrovisor fotocrômico funciona muito bem à noite.
- Em um carro com tantos recursos eletrônicos, a abertura da tampa de combustível poderia ser interna.
COMPORTAMENTO DINÂMICO
Freios
São a disco nas quatro rodas e transmitem segurança. Quem dirige o veículo pela primeira vez deve se acostumar à sensibilidade do pedal: qualquer pressão aplicada e o carro reage imediatamente. Possui ABS, EBD e EVA. Em uma freada de emergência, o pisca-alerta é acionado automaticamente.
Suspensão
Os 307 antigos, bem como o resto dos franceses, eram duramente criticados nesse quesito. O tempo passou e a Peugeot melhorou bastante a suspensão dos 307. Ela é independente nas quatro rodas, sendo dual link atrás com barra estabilizadora. Eu diria que no 307 ela é mais “tapete” que a do Golf (o carro não chacoalha tanto), porém filtrando menos a aspereza da pista e, quando passando em um buraco, bate mais “seco”. Já rodei em Civic e Corolla e o nível de ruído por parte da suspensão do 307 é um pouco maior, mas não tão distante dos japoneses. Ela é, no geral, muito confortável e boa de curva (não podemos culpar nossos carros pelo estado das ruas em que circulamos). Respeitando o limite de velocidade, tanto eu quanto o meu pai já fizemos umas curvinhas um pouco mais abusadas, e o veículo tem comportamento tendendo ao neutro (não sai de frente e nem de traseira).
Câmbio
Antes de falar do excelente motor, acho necessário dar a minha opinião sobre a polêmica transmissão AL4, que atualmente equipa a Citröen e Peugeot. O câmbio possui 4 marchas, oferece trocas sequenciais, modo esportivo e um controle de tração em baixas velocidades. Na posição “D” o carro fica, digamos, adormecido. No “S” ele acorda e, no tiptronic, é uma delícia. A maioria da mídia, que se intitula especializada, fala do assunto sem conhecê-lo a fundo. Eu diria que, na internet, ocorre um festival de propagação de ideias. O tranco presente nas trocas de marcha ocorre somente quando se retira o pé do acelerador na hora da passagem das velocidades (para evitá-lo, é só permanecer com aceleração constante). A Peugeot disponibilizou um software que reprograma a função do conversor de torque, melhorando consideravelmente o funcionamento do câmbio e praticamente eliminando os pequenos trancos existentes.
Eu não diria que o câmbio é excelente, pois existem os automáticos, DSG e S-Tronic da VW / Audi, PDK da Porsche, e “por aí vai”. De uma maneira geral, a transmissão atende muito bem e garante diversão, tanto na estrada quanto na cidade. Com o tempo dá para acostumar.
Já fiz uso do controle de tração na subida da rua da entrada do Mercado Distrital, em Belo Horizonte. Choveu e a água carreou o óleo da suspensão dos carros estacionados para a pista. Diversos automóveis, sendo a maioria de taxistas, não conseguiram subir. Apertei a tecla (*) do câmbio e o veículo subiu tranquilamente, em primeira marcha, o aclive.
Motor, consumo e isolamento acústico
O 307 vendido atualmente possui, no álcool, 22 kgfm de torque e 151 cv. O motor tem comando de válvulas variável, garantido 19 quilos já em baixas rotações. Em 4 mil RPM os 22 kgfm entram plenamente (dá pra notar uma coladinha no banco nesse momento). Na gasolina, são 143 cv de potência e 20,4 kgfm. Utilizando ou o modo esportivo ou as trocas sequenciais da AL4, o carro fica bem esperto. Ontem peguei a BR-262 e o veículo, embora carregado, andou facilmente nos limites de velocidade (poderia ir bem além, caso fosse permitido). Fizemos, também, ultrapassagens com segurança. Em termos de desempenho e fazendo uso de algumas revistas, ele é geralmente o automático mais veloz dos testes. Pelos dados, um pouco mais rápido até que o i30 e novo Focus. O nosso antigo Golf 2.0 manual não tem a disposição do Peugeot automático. Eu e meu pai ficamos bem satisfeitos guiando o veículo, principalmente pelo conforto proporcionado pelo câmbio automático (como alguns dizem: “a época de sair do sinal cantando pneu já passou”).
O consumo é o esperado para um carro 2.0, automático e com aproximadamente 150 cv. Entre 7 e 8,2 km/l na cidade, dependendo do trânsito. Na estrada, obedecendo uma média de aproximadamente 90 km/h e com o carro relativamente carregado, entre 12,5 e 14,5 km/l. Dizem que o motor flex tornou-se mais beberrão (o meu 307 Griffe é movido unicamente a gasolina).
O isolamento acústico é excelente. Escuta-se o motor somente em rotações mais altas. Mesmo assim, o ruído não chega a incomodar. Em alguns momentos não dá para perceber que o motor está funcionando.
MANUTENÇÃO E VALOR DE MERCADO
Os franceses sofrem preconceito. Costumam desvalorizar mais que os alemães, por exemplo, por um passado muito diferente do presente. O 307 tem se mostrado mais robusto que o nosso antigo Golf, mesmo sendo um carro com muito mais recursos suscetíveis a algum problema. As revisões tem preços fixos, seguindo quase sempre os valores da tabela presente no site da Peugeot. Por enquanto, aos 70.000 km, nada doeu muito na carteira.
A desvalorização é ruim para quem está vendendo e boa para quem está comprando, pois quem está prestes a adquirir um 307 Griffe usado, com certeza levará um carrão por um baixo valor.
Eu recomendo fortemente o veículo para quem tem prazer em dirigir e gosta de conforto. A qualidade da vida a bordo do 307 é raramente encontrada em outros carros do segmento, e está bem acima de carros de categoria inferior. Os mimos tornam tudo mais agradável durante o contato com o veículo.
O fato de desconhecermos os gastos com substituição de peças se deve também ao cuidado que temos com o carro. Tratamos com carinho.
Tanto eu quanto o meu pai estamos muito satisfeitos com o Peugeot. Quem tiver interesse em adquirir um, tome cuidado com a vinda do 308 hatch para o Brasil, que deve ocorrer em 2011. Fora isso, o 307 superou em muito as nossas expectativas. Deem preferência para câmbios automáticos ano 07/08 para frente, pois já sofreram revisões.
Espero que as impressões acima tenham servido para mostrar alguns recursos não comentados pela mídia e que seja de ajuda, também, para quem estiver pensando em adquirir um 307.
Opinião do blogueiro
Não tem muita coisa que eu possa adicionar, já que o Pedro detalhou tudo muito bem. Apenas repito que o 307 é o modelo que considero o melhor da Peugeot no Brasil atualmente. Gosto especialmente dessa versão do Pedro, hatch, com motor 2.0 e câmbio automático. Bom espaço interno e para bagagem são sempre bem-vindos.
Atualização (03/02/10)
Devido a enorme polêmica sobre o 307, reproduzo aqui o vídeo do Pedro mostrando mais detalhes do carro dele:




