Nos últimos 12 anos, aluguei carros em várias locadoras com relativa frequência, especialmente em viagens a trabalho. Usei serviços da Hertz, Alamo, Dollar, Avis, Budget, National, entre outras que não são consideradas “grandes”. Sem dúvida, onde mais aluguei carros, no Brasil, foi na Localiza. E as minhas experiências lá foram de mal a pior. Conto nos dedos quantas vezes não tive algum tipo de contratempo por lá. Por isso me pergunto: por que alugar carro na Localiza é quase sempre um problema?
Fedorento
Tudo começou quando resolvi alugar um carro na Localiza da Av. Bernardo Monteiro, em Belo Horizonte. A loja estava quase fechando e peguei o único modelo que estava disponível na categoria, numa sexta-feira. Feito o trâmite burocrático, a loja apagou as luzes e fui para a garagem retirar o veículo.
Quando entro, o Fiat Palio estava com um forte cheiro de “cachorro molhado”. Reclamei com o último funcionário que estava no local e ele me disse que não podia fazer nada e que era para “eu dormir com o carro com os vidros abertos”.
5% de desconto
O problema era que eu iria viajar no sábado, bem cedo, antes da loja abrir, impedindo que o veículo fosse trocado. Resultado: dormi com o carro todo aberto e o cheiro continuou, só ficou “menos fresco”. Era simplesmente impossível rodar com os vidros fechados. Fiz o que eu tinha que fazer naquele sábado e, na volta da viagem, fui direto na mesma unidade da Localiza.
Reclamei muito e, numa frase que eu nunca me esqueci, a atendente disse:
“Faremos uma cortesia para o senhor e te daremos 5% de desconto na diária porque o veículo estava com um cheiro estranho”.
Eu a fiz ir até o veículo e perguntei se aquele odor sem igual era digno de 5% de desconto ou de uma diária de graça. Ela, sem graça, não me respondeu e, até hoje, nunca ganhei um pedido de desculpas.
Quebrado
Em outro episódio, ainda pior, aluguei também um Palio na mesma unidade da Localiza (sempre ela, pois era o local mais próximo de onde eu morava) e deu tudo certo no quesito cheiro. Na hora da vistoria, mostrei ao funcionário que o carro tinha uma rachadura no para-brisa. Ele marcou na folha de avaliação dele e me deu uma cópia.
R$ 300?
Quando fui devolver o veículo, para a minha surpresa, a Localiza estava me cobrando cerca de R$ 300 pela rachadura. Mostrei a eles a minha cópia da folha da vistoria e eles me mostraram a original que, inacreditavelmente, estava sem a marcação da trincado no para-brisa.
Depois de muita discussão e de quase alegações diretas de que eu estava mentindo (foram só “indiretas”), o preço a ser pago caiu para R$ 50.
PM?
Liguei para a Polícia Militar. Depois de falar com a atendente, preferi desistir da presença do soldado na unidade da locadora considerando que ele teria, provavelmente, outra atividade mais importante para fazer.
Ainda revoltado, paguei os R$ 50 e jurei nunca mais alugar um carro na Localiza de novo.
Torto, sem energia, sem reserva, sem segurança e sem direção
Depois disso, fui obrigado a alugar carros na Localiza por questões de acordos entre empresas onde trabalhei e a locadora. Em Campinas (SP), por exemplo, já me deram um carro que puxava horrores para a direita – muito perigoso dirigi-lo na estrada. Outra vez em Campinas me locaram um veículo que a tomada 12V não funcionava, impedindo o uso do GPS (esse deu tempo de trocar – não existia Waza e Google Maps nessa época).
Empurroterapia
Em Foz do Iguaçu (PR), reservei um carro e, quando cheguei, o carro não estava disponível, mesmo com a minha ligação de confirmação feita 48h antes. Reclamei e me deram um Ford Fiesta, que recusei prontamente, pois o carro não tinha nem ABS, nem airbag duplo (isso em 2014, depois do início da lei da obrigatoriedade desses dispositivos de segurança).
Em São Paulo (SP), aluguei um carro por um dia e resolvi pegar o GPS da Localiza, que estava tão atualizado que me mandou atravessar, literalmente, um muro que, segundo ele, era uma rua. Em outra ocasião, durante outra viagem a Campinas, o GPS não encontrou sinal nenhuma vez. Resultado: por muito tempo, eu levava o meu próprio GPS. Hoje uso o Waze do meu celular.
Sem cartão
De novo em Belo Horizonte (adivinhem a onde?), fui devolver uma picape que aluguei e, de jeito nenhum, a máquina do cartão de crédito funcionava. Quase precisei ir até o banco sacar o dinheiro, mas não foi necessário pois, depois de quase 1h, a máquina funcionou.
Quase debaixo d’agua
Em Cuiabá (MT), aluguei um veículo que tinha uma cachoeira dentro dele, de tanta água que vazava do ar-condicionado. Em mais de 10 anos como jornalista automotivo, eu jamais tinha visto uma quantidade de água tão grande dentro de um carro que não estivesse alagado. Fiquei com os pés ensopados, o que acabou me deixando doente.
Fila
Em Curitiba (PR), onde, depois de muitos anos, não tive absolutamente nenhum problema em uma das minhas mais recentes locações na Localiza (a penúltima antes de publicar esse post), ao chegar na unidade do aeroporto para a última locação antes de finalizar esse texto, precisei ficar quase 25 minutos na fila aguardando para retirar o veículo.
A falta de eficiência do time de atendimento chamou a atenção. Foi tudo muito devagar por quase 20 minutos quando, de repente, a fila começou a andar mais rápido. Quando perguntei, me explicaram que o sistema (sempre ele) voltou a funcionar normalmente.
Quebrando a promessa
A promessa que fiz 10 anos antes (citada acima) foi quebrada quando, no primeiro semestre desse ano, aluguei um Ford Ka numa viagem a passeio que fiz ao Nordeste brasileiro. Por que quebrar a promessa? Por um motivo: eu já tinha perdido mais de 10 upgrades de categoria na locação de um carro na Localiza única e exclusivamente por validade. Perdi a conta de quantos upgrades desses eles me mandaram, pois, em todas as vezes em que tive problemas, eu fiz uma reclamação formal. Logo, resolvi aproveitar um upgrade válido numa outra região brasileira.
Beberrão
Para quem não se lembra, a Localiza me entregou um Ka que mostrava que o tanque estava cheio. Mas, depois de rodar 80% do tempo na estrada, com etanol e ar-condicionado ligado, a 80 km/h de velocidade (limite da via), a média de consumo foi de ridículos 5,5 km/l – péssimo número para um carro 1.0 de três cilindros.
Ou o carro estava com defeito (o que não parecia), ou (mais provável) me entregaram um carro que não estava, realmente, com o tanque cheio.
Abasteci o pequeno Ford e, ao devolvê-lo, reclamei no balcão da Localiza. A atendente disse que não poderia fazer nada. Depois fiz uma reclamação formal pela avaliação da locação e recebi um upgrade como desculpas.
Resposta
E, é nesse ponto que gostaria de chegar. Vejam o que respondi à Localiza:
“Agradeço o retorno e o upgrade. Mas o que eu preciso que aconteça é que a Localiza seja mais rigorosa e apresente um trabalho melhor pois, nas minhas locações mais recentes, sempre tive algum problema que tornou a experiência desagradável. Se isso não acontecer, os valores da locação poderiam ficar mais baixos, pelo menos, para tornar o preço mais compatível com a qualidade do serviço prestado”.
Preço alto e qualidade baixa
Como pude perceber nas minhas mais recentes locações, infelizmente, o preço continua alto e a qualidade baixa.
Para não me alongar mais com tanta desgraça relacionada a uma única empresa, prefiro encerrar esse post por aqui com uma única certeza: eu jamais conseguirei responder à pergunta que é o título desse post. Com sinceridade: espero que esses problemas só tenham acontecido comigo, pois, se eles forem frequentes com a maioria dos clientes, meus deus…
Extra
Nem comentei as inúmeras cobranças erradas nos cartões de crédito dos clientes de locações faturadas por empresas ou de pagamentos feitos por vouchers de diárias grátis.
Pelo menos, até onde sei, o estorno sempre foi feito nesses casos.
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