De Paris, França* – Como amante de carros, não pude deixar de conhecer na Europa alguns dos futuros lançamentos que teremos no Brasil num futuro de curto e médio prazo. Farei dois posts sobre o assunto e, neste primeiro, falo exclusivamente sobre o novo “menino dos olhos” da Renault, o SUV compacto Captur. Será que ele vai “capturar os sonhos” dos consumidores brasileiros mesmo?
Embora a confirmação oficial ainda não tenha sido feita, a marca francesa tem planos de lançar o modelo no Brasil. Um funcionário da empresa com quem conversei e que pediu anonimato disse que o Captur chegará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2014 (importado). A chance dele virar nacional também existe e é grande, mas aconteceria apenas depois de 2015. Veremos.
Captur X Duster
Ao me encontrar com o Captur pela primeira vez, dois pensamentos vieram imediatamente à minha cabeça: (1) como esse carro parece legal e (2) como ele faz o Duster parecer ultrapassado. Por lembrar bastante o Clio europeu (do qual deriva plataforma e boa parte das peças), o SUV compacto tem no visual um dos seus pontos mais fortes.
Diferente do Duster, que se caracteriza pelo estilo mais quadrado, parrudo e robusto, o Captur de linhas mais inspiradas, com conjunto mais moderno e atraente. A dianteira segue o padrão mundial da Renault e conta com luzes diurna em LED. Além disso, o teto e os retrovisores podem ter cores diferentes do restante do carro, o que aumenta o charme (para quem gosta) e a exclusividade (embora possa atrapalhar na revenda).
Por dentro, o Captur é visivelmente menor (leva 4 pessoas com conforto e 5 com certo aperto atrás) e melhor acabado do que o Duster brasileiro. Embora o acabamento não seja espetacular, com alguns materiais duros e alguns parafusos à mostra, ele está dentro do esperado para um veículo com as propostas do SUV compacto (ou crossover compacto).
Veja algumas diferenças entre o Captur e o Duster:
| RENAULT CAPTUR | RENAULT DUSTER | |
| COMPRIMENTO | 4,122 m | 4,315 m |
| LARGURA | 1,778 m | 1,822 m |
| ALTURA | 1,567 m | 1,634 m (1,690 m com barras) |
| ENTRE-EIXOS | 2,606 m | 2,673 m |
| PORTA-MALAS | 377 litros | 475 litros (400 l no 4×4) |
| TANQUE | 45 litros | 50 litros |
Detalhes
Por dentro, achei rapidamente uma boa posição de dirigir, graças aos ajustes de altura do banco e de altura e profundidade do volante – que tem boa empunhadura. Analisando o painel, achei a disposição dos mostradores interessante e prática, embora, por incrível que pareça, eu tenha sentido falta de um velocímetro analógico (questão de costume). Os comandos do sistema de ar e dos vidros me pareceram bem localizados.
Sistema multimídia
Mas o que mais chamou a minha atenção foi o sistema multimídia do veículo disponível em duas versões, ambas com tela de 7″ sensível ao toque que fica no centro do painel. A versão mais refinada vem com as seguintes funções: rádio, GPS (navegador da TomTom), comandos de voz, conexão Bluetooth, entradas USB e auxiliar, streaming de áudio e até acesso a internet. A mais simples perde a internet, os comandos de voz e o apoio da TomTom na navegação.
Curiosamente, a Renault já deu mais um sinal no próprio carro de que pretende mesmo lançar o Captur por aqui. Repare na foto abaixo que o sistema multimídia pode ter os menus em português brasileiro – muito bem-vindo.
Eu achava que a capacidade do porta-malas do Captur seria maior. Mais, depois de analisar as proporções do carro, acho que o volume de 377 litros está adequado. Um detalhe interessante do porta-malas é que ele vem com uma tampa na parte inferior (no “piso”) que serve para duas coisas: esconder o que fica debaixo dela e tornar o totalmente porta-malas plano quando o banco traseiro está rebatido, facilitando consideravelmente o transporte de carga (veja na galeria abaixo).
Em termos de segurança, nota 10 para o Captur: encosto de cabeça e cinto de três pontos para todos (cintos dianteiros com duplo pré-tensionador); freio a disco nas quatro rodas com ABS com EBD, ESP e assistência de frenagem de emergência; airbags frontais, laterais e do tipo cortina; faróis de neblina e sistema ISOFIX.
Mas como será o Captur vendido no Brasil?
Eu conheci o Captur na avenida Champs Élysées, em Paris. Infelizmente não pude rodar com o veículo, que possui na França três opções de motor, todas com tração 4×2 (tração nas quatro rodas não faz parte dos planos):
- 0.9, de três cilindros, turbo, a gasolina, que desenvolve 90 cv de potência e 13,77 mkgf de torque (seria bem-vindo para o Sandero brasileiro) – câmbio manual de cinco marchas;
- 1.2, de quatro cilindros, turbo, a gasolina, que desenvolve 120 cv de potência e 19,38 mkgf de torque – câmbio manual automatizado de dupla embreagem e seis marchas;
- 1.5, de quatro cilindros, turbo, a diesel, que desenvolve 90 cv de potência.
Como o SUV compacto deverá vir importado para o Brasil num primeiro momento (2014), a expectativa é que o Captur seja vendido por aqui equipado com o motor 1.2 turbo a gasolina – com câmbio automatizado de dupla embreagem. Penso dessa forma porque o 0.9 não tem apelo para um veículo deste tipo por aqui e o 1.5 a diesel não pode ser vendido em carros de passeio em solo verde e amarelo.
Eis que vem a dúvida: como o Captur é um veículo menor e mais fraco (potência) do que o Duster, por quanto ele deveria ser vendido no Brasil? O ideal seria ter um preço mais baixo, chegando, no máximo, a R$ 55.000.
Mas, como ele será importado da Europa e por ser mais moderno, bonito e seguro, é provável que o Captur tenha um valor mais alto do que o das versões mais caras do Duster (Dynamique: 4×4 e 4×2 automático). Logo, seu preço seria superior a R$ 65.000. Desta forma, provavelmente o Duster automático sairia de linha, abrindo um espaço especial para o Captur automatizado.
Mas e quando o Captur virar nacional (2015/2016), quanto ele vai custar? Realmente não acho que a pergunta seja essa. Penso que a pergunta “do momento” é: Quanto o Captur virar nacional, o que vai ser feito do Duster? Uma resposta interessante seria: Captur vira brasileiro, Duster dá adeus e o SUV Koleos passa a ver vendido por aqui – seria uma dupla muito mais forte e atraente.
Resumo da obra
O Renault Captur não capturou os meus sonhos como a marca diz na propaganda do início do post. Porém, ele será o sonho de muitos brasileiros, que terão atração imediata pelo modelo por dois motivos principais: tamanho e visual. Se chegar com um preço legal, será um sucesso absoluto de vendas!
*O jornalista e blogueiro viajou por conta própria.
- Renault Captur
- Renault Captur
- Teto e retrovisores do Captur podem ter cores diferentes
- Renault Captur
- Traseira não é o ponto forte, mas é mais bem resolvida do que a do Duster
- Captur mede 4,12 m de comprimento
- Modelo conta com luzes diúrnas em LED
- Dianteira do modelo é o seu ponto visual mais forte
- Renault Captur
- Lanterna traseira tem visual ainteressante
- Nome Captur fica na grande na tampa traseira
- Painel lembra o do Duster, mas tem acabamento superior
- Posição de dirigir foi fácil de encontrar
- Sistema multimídia pode ser configurado em português do Brasil
- Este é o painel da versão mais refinada do Duster francês
- Detalhe para a chave cartão, para o botão start/stop e para as entradas P2, de cartão e USB
- Espaço traseiro está de acordo com o tamanho do carro, mas falta conforto para 3 adultos
- Cinto de 3 pontos e apoio de cabeça para todos atrás
- Porta-malas tem tamanho compatível com o carro
- Tama é usada para deixar o piso plano
- Captur era a estrela da loja da Renault nas Champs Élysées
- O modelo estava mesmo em todos os lugares
- Até na parede o Captur passeou
- Repare nas cores do teto e dos retrovisores: diferentes do restante do carro
- Renault Captur
































