Visitei o Etios Connection, evento itinerante para apresentar a sua “nova família de compactos”, ou seja, o novo Toyota Etios, e confesso que fiquei surpreso com o que vi.
Começando pelo visual, o Etios é bem melhor ao vivo do que nas fotos. O hatch é até bonito, com linhas mais bem resolvidas, enquanto o sedã é menos feio do que eu imaginava, mas mantem a triste semelhança com o Logan na traseira.
O espaço interno é muito bom. Com os meus quase 2 metros de altura, coloquei o banco numa boa posição para eu dirigir e sentei logo atrás para medir o espaço traseiro. Tanto no hatch, quanto no sedã, meus joelhos não encostaram no banco dianteiro. Já a cabeça esbarra no teto no hatch e é ligeiramente forçada para baixo no sedã. Mesmo podendo ter um pouco mais de espaço lateral na traseira, para evitar que 3 se adultos empurrem pelos ombros, o espaço do Etios está aprovado.
Para a bagagem, o porta-malas do sedã tem ótimo volume, com 562 litros (segundo a marca) enquanto o Etios hatch fica devendo em espaço, com seus 263 litros, semelhante ao de um Ford Ka.
Em termos de posição para dirigir, a falta de ajuste de profundidade do volante é lamentável. Não entendo como um carro lançado depois de 2010 não tenha este sistema disponível. Mesmo assim, encontrei rapidamente uma posição de guiar – que acho que me cansaria em viagens longas. Pelo menos o modelo conta com ajuste de altura do volante e do banco (provavelmente de série), que também me pareceu confortável.
O acabamento dos carros avaliados era simples, mas bem feito. Realmente não tem luxo nenhum. O porta-luvas é estranho e bate nas pernas do passageiro da frente, além de ter um curioso buraco para o sistema de ventilação.
Painel digno de um Lada
Encerrando, gostaria de comentar o aspecto mais bizarro do Etios: o seu painel. Ele é excelente para um veículo dos anos 1990, com linhas retas e totalmente sem inspiração. Realmente a Toyota deveria ter feito algo (bem) melhor. A solução adotada foi meramente comercial.
Os marcadores ficam no centro para baixar custos, uma vez que os principais mercados do modelo são Brasil e a Índia, bastando “apenas” inverter o volante de lado na hora de produzir. Pelo menos o velocímetro e o conta-giros possuem números grandes, diferente do Toyota Yaris que testei.
Levei a minha namorada para conhecer o veículo e, ao entrar no Etios, ela disse de bate pronto: “esse painel é ridículo! Até um Ká tem um painel melhor”. Quando eu falei que o Etios custaria cerca de R$ 10.000 a mais que um Ka, ela ficou ainda mais revoltada.
O pobre do atendente da Toyota até tentou manter a simpatia, mas ele não tinha argumentos para explicar a “beleza” do painel. Ele disse que anotaria “todas as minhas opiniões para colocar em um relatório e enviar para a Toyota” – o que acho pouquíssimo provável. De qualquer forma, reproduzo uma das frases que falei com ele: “o painel pode ser bem simples, mas não precisa ser feio”.
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| Toyota/Divulgação |
O Toyota Etios começa a ser vendido no Brasil em setembro, nas carrocerias hatch e sedã, com motores 1.3 16V e 1.5 16V (ambos flex), e com preços variando entre R$ 35.000 e R$ 48.000.



