Foram muitos anos de mercado, vários deles com certo glamour, mas chegou a hora do Chevrolet Vectra dar adeus ao nosso mercado. A marca fecha o ciclo do seu sedã médio com duas mil unidades da série especial Collection.
Desde o lançamento da sua atual carroceria, sempre tive a mesma impressão do Vectra. Sinto que a GM fez como a diretoria do Palmeiras gosta de fazer: usar a política de contratar jogadores “bons e baratos”. Ou seja, pegou um carro bom e mais barato de produzir – Astra -, fez alterações, e lançou o Vectra. O problema é que ele nunca foi barato, nem “um barato” – mas sempre foi um bom carro, com espaço interno interessante e ótima capacidade no porta-malas.
Por causa dessa “política”, o Vectra sempre esteve na sombra do Astra Sedan e atrás dos concorrentes japoneses, que nasceram de projetos próprios, e não adaptados. E adaptação foi sempre uma das sinas do Vectra. Na verdade prefiro chamar de correções ou melhorais ao invés de adaptações. No meio do ciclo de vida da sua atual carroceria, a Chevrolet fez bem-vindas alterações no visual do carro e (nesse caso não tem como não usar) adaptou o espaço interno criando novos, mas nem sempre práticos, porta-trecos. O motor 2.0 8V Flexpower foi outro que ganhou alterações para ficar mais potente e, teoricamente, mais econômico.
Versões
Quando a atual carroceria foi lançada, a GM colocou no mercado nacional duas versões do Vectra: Elegance 2.0 (R$59.990) e Elite 2.4 (R$ 79.990) – todas flex. Não muito tempo depois chegou o acabamento Expression 2.0, que acabou se tornando a alegria dos frotistas e a tristeza dos donos das versões Elegance (que acabou desvalorizando) por custar menos.
Beberrão
O Vectra sempre foi equipado com o motor 2.0 8V Flexpower, que, inicialmente, desenvolvia 121 cv de potência e 18,3 mkgf de torque com gasolina e 128 cv e 19,6 mkgf com etanol. Alguns anos depois este propulsor passou a render os atuais 133 cv e 18,9 mkgf com o combustível fóssil e 140 cv e 19,7 mkgf com o derivado da cana-de-açúcar.
Outra motorização que esteve debaixo do capô do Vectra foi a 2.4 16V Flexpower, que gerava 146 cv e 23,1 mkgf com gasolina e 150 cv e 23,7 mkgf com álcool. Esse motor sempre esteve associado ao câmbio automático de quatro marchas (item de série nas versões Elite do Vectra). Por isso, a média de consumo que não era boa ficou ainda pior. Quando testei o carro, a média de consumo na cidade com etanol foi de 4,4 km/l, e 5,8 km/l com gasolina – um verdadeiro beberrão. O motor 2.4 do Vectra acabou saindo de linha por ter desempenho limitado e por beber e poluir demais.
E consumo sempre foi um dos principais questionamentos do Vectra, não só do 2.4. A versão 2.0 também foi bastante criticada, especialmente com câmbio automático. A solução da Chevrolet para “melhorar” o consumo foi aumentar a capacidade do tanque de combustível de 52 litros para 58 litros. Aposentar o motor 2.4 e melhorar o propulsor 2.0 também foram boas ideias.
Collection
A GM pegou a versão Elite, acrescentou alguns detalhes de acabamento e adotou o preço da versão Elegance (R$ 65.400) para criar a Collection. Como diferenciais, o Vectra especial tem uma única cor, Verde Lótus metálica, bancos de couro com o nome “Collection”, logotipos da versão nas laterais e na traseira e manual do proprietário com capa de couro numerada entre 0001 e 2000.
O Vectra Collection vem equipado de série com ar-condicionado digital automático, direção hidráulica, airbag duplo frontal, freios com sistema ABS com EBD, sensor de chuva, computador de bordo, banco do motorista com ajustes elétricos, sistema de som Premium Sound, antena do tipo Shark, rodas de alumínio de 17″ e transmissão automática de quatro marchas.
Não custa lembrar que, em 2005, a geração anterior do Vectra recebeu a série especial Collection limitada a mil unidades. Segundo a Quatro Rodas, a versão era pintada na cor cinza Mayon e tinha vários detalhes pintados em cores especiais, além de chaveiro e manual do proprietário numerados.




