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Volvo C30 T5: um avião pregado no chão

Volvo C30 T5: um avião pregado no chão

Reproduzo abaixo um dos meus textos para o Jalopnik Brasil. Sempre achei os carros da Volvo excelentes, mas um pouco “caretas”. Porém, de uns anos pra cá, a marca evoluiu muito em vários aspectos, sempre mantendo a segurança como o “carro chefe” (com o perdão do trocadilho). Hoje, de careta, a marca não tem nada. Prova disso é o C30 T5, que me surpreendeu.

“O tempo necessário para se adorar (ou não) um carro varia de acordo com cada motorista. No meu caso, preciso de 24 horas pelo menos para conhecer, de forma profunda, cada detalhe do automóvel. O tempo não foi o ideal, mas como uma noite bem dormida, ficar 8 horas a bordo de um Volvo C30 T5 foi como um sonho.

Uma pena que foram apenas 8 horas, exatamente o tempo dito por muitas pessoas (e profissionais) como o ideal para uma boa noite de sono. No meu caso, foi para uma “boa tarde de sonho”. As poucas horas não foram suficientes para saber tudo sobre o C30, mas me entrosei com o carro de forma tão espantosa que garanti grandes momentos de diversão.

Logo de cara, antes de entrar no C30, reparo como as rodas estão nas extremidades do veículo, o que garante boa estabilidade. Passados alguns minutos apreciando o visual, que tem a frente musculosa e a traseira cheia de curvas, entrei na cabine e, facilmente, encontrei uma excelente posição para dirigir. Por causa do teto solar (e da minha altura), minha cabeça raspava no teto, mas nada que atrapalhasse.

Giro a chave, mas não ligo o carro. Fiquei apenas observando as luzes do painel e conferindo os detalhes do acabamento: acima da média em relação aos hatches médios do mercado, mas inferior aos irmãos maiores da Volvo, como o XC60 e o S80. O espaço interno é ótimo para dois adultos, embora o C30 leve até quatro pessoas – cinco seria exagero. Nem me lembrei de olhar o porta-malas, já que o mais me interessava estava debaixo do capô.

Finalmente ligo o carro. Começo a ouvir um grave e belo ronco, que fica ao fundo, como uma música que, ao mesmo tempo, relaxa, valorizando o “sonho”, e que faz o me faz querer pisar fundo no acelerador para ouvir a “orquestra e todos os seus cavalos”. Piso de leve no acelerador e o C30 já mostra porque a sigla T5, localizada na parte traseira, faz toda a diferença. A versão comum, equipada com motor 2.0 16V, tem “apenas” 145 cv de potência, o que garante uma diversão semelhante à de um Ford Focus 2.0.

Já no Volvo C30 T5, força é o que não falta. O motor 2.5 turbo desenvolve 230 cv de potência e 32,65 kgfm de torque. Não pude compará-los pessoalmente, no mesmo dia e local, mas tive a nítida impressão de que o C30 despacha, sem dó, outros esportivos, como Punto T-Jet, Golf GTI e até o poderoso Civic Si. Até o saudoso Tempra Turbo, o Trovão Vermelho, leva um binóculo. O conjunto motor/câmbio e a carroceria hatch do C30 “casaram” com uma harmonia que eu não via há muito tempo.

O trânsito da cidade estava surpreendentemente bom para um dia de semana. Caminho livre para desfrutar do hatch médio da Volvo não só na cidade, como também na estrada. O C30 T5 ganha velocidade com uma ganância que impressiona. Ele não se cansa de pedir marchas, fazendo o ótimo câmbio automático Geartronic, de cinco velocidades, ficar carente de uma sexta marcha.

Muita segurança

Na estrada foi possível notar porque o C30 parece um avião que não voa, tamanha a sua estabilidade. Os controles de estabilidade e tração funcionam excepcionalmente bem. Mal o carro começa a desgarrar nas curvas e a “dupla” já domina completamente a situação. Os sistemas aumentam muito a segurança, mas reduzem consideravelmente o prazer da direção esportiva.

O C30 T5 é equipado de série com ar-condicionado, direção assistida, sistema de som com oito alto-falantes de 40W, controle de audio no volante, trio elétrico e bancos com revestimento em couro. Falar de um Volvo sem tocar no quesito segurança seria injusto. Além dos sistemas citados acima, o hatch médio sueco “chinês” tem airbag duplo frontal, airbags laterais e do tipo cortina, freios ABS com EBA, Sistema de Proteção Contra Lesões na Coluna Cervical (WHIPS) e Sistema Inteligente de Informação (IDIS).

Nem mesmo os motoboys transformaram o sonho num grande pesadelo. O C30 conta com um equipamento essencial para as mudanças de faixa, que trabalha em auxilio aos retrovisores laterais, chamado de BLIS. O dispositivo monitora os pontos cegos do veículo, avisando, por meio de uma luz laranja e de um alerta sonoro, que fica próxima aos retrovisores externos, se algum veículo (motos, em sua maioria) estiver no ponto cego, ajudando a evitar um choque.

O sono e o sonho só acabaram na hora na hora de devolver e olhar o preço do Volvo C30 T5, que beira os R$ 120.000. O valor é alto, mas a segurança, o visual e, principalmente, a diversão compensam o investimento.” (fotos: Renato Parizzi e Volvo/Divulgação – interior)

Tags C30 T5 turbo