Os internautas concordaram que aposentar o motor 1.9 16V do Linea, fabricado na Argentina, foi uma decisão acertada da Fiat. Porém, muitos acharam que a substituição deste propulsor pela motorização 1.8 16V E.TorQ foi uma sacanagem com os donos do Linea 1.9. Esse foi basicamente o resultado da enquete que ficou no ar aqui no De 0 a 100. Confiram:
A Fiat acertou ao aposentar o motor 1.9 16V do Linea?
Sim, mas foi sacanagem com os donos de 1.9 – 58 (42%)
Sim, o 1.8 16V E.TorQ é bem melhor – 55 (40%)
Não, pois foi sacanagem com os donos de 1.9 – 11 (8%)
Não, o 1.9 era bem melhor – 11 (8%)
Total de votos: 135
A substituição do motor 1.9, que não chegou a ficar três anos no mercado nacional, representa um comportamento tipicamente italiano, de mudanças ágeis, arrojadas e, ao mesmo tempo, polêmicas. É admirável que a Fiat consiga corrigir ou, pelo menos, tentar melhorar o que não está dando certo com grande rapidez.
Também é admirável que a montadora italiana arrisque alguns lançamentos diferenciados, que podem atingir, em cheio, o coração dos consumidores. Dois exemplos vivos e de sucesso são a linha Adventure, que começou com o Palio Weekend, e a picape Strada Cabine Estendida e, depois, dupla.
Mas, ao mesmo tempo, o excesso de mudanças pode ser profundamente prejudicial ao consumidor. Os donos do Linea 1.9 vão se sentir carentes, assim como os proprietários do Siena 1.3 16V e do Palio 1.0 16V. O que dizer então dos que possuem um Siena 6 marchas ou um Palio Citymatic na garagem?
Até entendo os acontecimentos que levaram à aposentadoria do motor 1.9. A Fiar lançou o Linea para tentar brilhar num segmento que ela não consegue ter muito sucesso, o de sedãs médios. Pouco tempo depois, a empresa comprou a fábrica da Tritec, no Paraná, para a produção de uma nova linha de propulsores.
Com isso, continuar equipando o Linea com o 1.9 perdeu o sentido, já que a marca teria, em pouco tempo, uma motorização 1.8 mais moderna e que seria produzia em larga escala, para abastecer toda a “família Fiat”, garantindo, por consequência, mais peças de reposição (que espero que sejam mais baratas).
Mas, mesmo entendendo o que levou a Fiat a fazer a mudança, se eu fosse um dos mais de 20.000 donos de Linea 1.9, eu ficaria insatisfeito com a montadora.
O mercado exige mudanças dinâmicas de todas as marcas. O ideal seria que cada empresa aprendesse com a outra. A Fiat poderia passar o excesso de dinamismo e ousadia para as “vagarosas” Chevrolet e Volkswagen, que demoram uma eternidade para realizar mudanças (onde estão o novo Golf e a nova S10, por exemplo?). Estes, por sua vez, deveriam ensinar a “tática da paciência” aos italianos, já que ambas possuem produtos de logo sucesso em quase todos os segmentos de mercado.

