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Depois de 202 edições, um forte abraço para a revista Carro

Depois de 202 edições, um forte abraço para a revista Carro

Nunca comentei isso aqui, mas, há 17 anos, compro, pelo menos, 2 revistas nacionais de carro por mês. Por causa do meu pai, que gosta dela há muito tempo, a Quatro Rodas sempre foi uma das publicações que eu compro. Para definir as outras, experimentei várias revistas até encontrar uma que me agradou: Carro – Revista do Consumidor.

O início e nas bancas

Quando a Carro foi lançada, a Autoesporte passava por uma fase “estranha”, enquanto as outras publicações, como a Motor Show, também não estavam tão interessantes. Por isso, acreditei e investi na revista que hoje faz pate do Grupo Motorpress.

Desde sua primeira edição, sempre comprei a Carro nas bancas. Apenas em 2008 ganhei de aniversário uma assinatura de um ano. Assim que o presente acabou, voltei a comprar a revista nas bancas. Porém, recentemente, na sua edição 200, a Carro passou por uma enorme reestruturação, aproximando a revista do site Carro Online.

Queda de qualidade

As ideias foram boas, mas acho que a revista perdeu em qualidade. O número de “Testes do mês” aumentou, mas a quantidade de texto (e espaço) de cada avaliação diminuiu, levando embora boa parte da profundidade. Tudo bem que o “Teste Especial”, com oito páginas, avalia o automóvel em todos os detalhes. Mas este teste não salva o “pacote”.

Ainda sobre os “Testes do mês”, outro problema é a ficha técnica, que só tem os números dos veículos com etanol. Se o carro é flex, eu também gostaria de saber os detalhes do carro com gasolina, já que tenho a opção de abastecer com o combustível derivado do petróleo.

Não tenho certeza se o número de páginas aumentou, mas sinto que a revista ficou mais espalhada, separando algumas notícias que poderiam estar mais próximas por terem algum tipo de ligação (o que aumenta o estímulo à leitura).

3×4 de poses

Mas o que mais me incomodou foi o aumentou da exposição das fotos dos repórteres e editores, que aparecem, de forma excessiva (mais nas edições 200 e 201 e ligeiramente menos na 202), fazendo caras, bocas e gestos para avaliarem diversos pontos ou o próprio automóvel.

Eu nunca tinha visto isso antes, mas não gostei. Sinto que ao invés de investir nisso, seria melhor ter colocado mais texto sobre os carros para aprofundar a análise. Meu amigo definiu de forma um pouco simplória o que descrevi acima: “compro revista de carro para ver carro, não para ficar olhando homens fazendo caretas”.

Algumas coisas ficaram legais na nova Carro, como o maior espaço para a participação dos leitores/internautas em algumas seções, além da manutenção do ótimo “Teste dos 100 dias”. Mas, ao meu ver, isso é pouco para justificar a continuidade da compra da publicação.

A Carro continua uma boa revista, com matérias interessantes e diversificadas. Mas, neste formato atual, não me agrada mais. Depois de 17 anos e 202 edições, a partir de setembro de 2010, a Carro deixará de fazer parte da minha lista de “compras certas” do mês. Desejo toda sorte para a revista e agora vou pensar se compro outra publicação ou se guardo o dinheiro para outros fins.

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