A Petrobras adora dizer na TV que “todo carro sonha em ser abastecido com o combustível Petrobras” – no postos BR, é claro! Mas será que o combustível brasileiro presta mesmo? Por quê a gigante estatal não comenta nos comerciais e propagandas que sua gasolina, comum ou aditivada (Supra), produz 1.000 partículas por milhão (ppm) de enxofre?
Mas isso não é exclusividade dela. Ipiranga, Shell, Alê e outros postos também vendem suas gasolinas com o mesmo (altíssimo) teor de enxofre – e por preços absurdos se comparados ao de outros países!
O pior de tudo é que a população brasileira será obrigada a enfrentar uma gasolina de qualidade inferior, que polui mais o planeta e intoxica mais as pessoas, por mais quatro anos! Só a partir de 1º de janeiro de 2014 é que o teor será reduzido para 50 ppm de enxofre (ainda superior ao valor atual da gasolina Podium da Petrobras, que é de 30 ppm), de acordo com resolução publicada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Quem me chamou a atenção para isso foi o internauta Dário Marchesini, de Salvador (BA), que vem tentando, há muito tempo, disseminar a discussão sobre o assunto. Acho bastante válido publicar aqui parte do e-mail que ele me enviou.
Palavra do internauta
“Em relação ao comercial da PETROBRAS, no qual é dito que sua gasolina é o sonho de consumo de todo carro, digo que esse sonho é rodar com uma gasolina de boa qualidade, limpa para o meio ambiente e para os motores (menos suja), eficiente para permitir um consumo melhor, com melhor performance. Não a gasolina da PETROBRAS, que chega a ter o dobro de enxofre (1.000 ppp) em relação ao próprio óleo diesel (500 ppp, em algumas metrópoles), quando o padrão europeu e americano é de no máximo 50 ppm!. Além de tudo ainda é a mais cara ! Bela propaganda enganosa, isto sim!
Destaco que todos os dados que utilizei foram obtidos da Petrobrás, através de apostilhas e e-mail de prepostos dela, bem como de uma matéria da Quatro Rodas de alguns anos atrás (aliás a única matéria que vi sobre isso). Creio que essa discussão seja fundamental para nós que tanto gostamos de carros, afinal, nenhum deles roda sem algum combustível.
A comprovação dessa má qualidade está nos índices de enxofre (um dos) e no recorrente aparecimento de borra nos motores, tanto a gasolina quanto diesel, onde invariavelmente põe-se a culpa na adulteração. Tenho exemplo dos meus próprios carros e de vários conhecidos (informalmente sou um consultor entre as pessoas conhecidas, tanto entre familiares, quanto fora, principalmente na empressa em que trabalho, que tem cerca de 10.000 funcionários, entre próprios e terceirizados). Até meu carro anterior, que era só a gasolina, só usava a V Power da Shell, trocava o óleo a cada 7500 Km e a cada revisão, 15000 Km, usava o Motor Flux (embalagem com 500 ml, que inclusive é usado nas concessionárias) para a retirada da borra e mesmo assim ainda limpava os bicos de injeção no máximo a cada 20, 30 mil Km (quando não, o motor começava a falhar). De um ano e meio para cá, estou com um carro Flex, com 27000 Km no qual só uso álcool e até o momento sem limpeza de bico, sem uso do Moror Flux, sem problemas”.
Quatro Rodas
A matéria da Quatro Rodas sobre a qual ele se refere está abaixo, publicada aqui em formato de foto, com todos os créditos e detalhes na íntegra dentro da imagem. O objetivo dela neste post é apenas detalhar e aumentar a profundidade da discussão (ou seja, para quem gostar, continuem comprando a revista nas bancas).
Já passou da hora do brasileiro ter um combustível de melhor qualidade, não só pelos nossos carros, que teriam menos “dores de barriga”, mas, principalmente, pelo meio ambiente e pela nossa saúde! É triste e revoltante ser forçado a esperar até 2014 para ter um combustível melhor. Bem que o governo federal poderia antecipar a nova fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) para 2011 ou, no máximo, 2012.
Isso tudo sem falar do diesel…
Lembrando também que a partir de setembro de 2010, o álcool dos postos de combustível passa a ser chamado somente de etanol.

