A nova edição do Impressões é muito especial porque o dono do veículo é um completo fanático pelo modelo! O carro da vez é um Golf GTI, o segundo Golf na história do Bruno, (muito) feliz proprietário do Volkswagen. Assim como aconteceu com ele, esse modelo já roubou o coração de muitas pessoas. Eu realmente acho legal quando alguém gosta de verdade de um carro específico, como o Bruno (Golf) e o Leônidas (Stilo). Não sei se conseguirei ter esse apego todo por um único carro… quem sabe quando eu comprar o meu Cadillac de colecionador daqui a alguns (muitos, mas muitos) anos.
Quem quiser participar do Impressões, como o Leônidas, o Rafael, o Jow, o Hugo e o Bruno, basta enviar um e-mail para [email protected]. Fale um pouco sobre o seu carro. Descreva os pontos positivos, negativos e conte alguma coisa curiosa! E não se esqueça de mandar fotos do veículo (só serão publicados posts com fotos). Garanto que a placa (ou algum outro detalhe) não será mostrada.
Volkswagen Golf GTI
“Minha história com o Golf começou em 2006 quando eu e minha esposa saímos pra comprar nosso primeiro carro e nos apaixonamos por um Golf GL 1.8, ano 95, alemão “de sangue”. Apesar de ter seguido mais a emoção do que a razão, naquele momento considero que demos muita sorte pois, apesar do carro estar com 120.000 km rodados, nunca “dormiu” na oficina nos dois anos seguintes que ficamos com ele.
Pouco depois da compra (aos 125.000 km) tive que trocar a embreagem e fiquei feliz ao ser informado pelo mecânico que a embreagem antiga ainda era a original “made in germany”. Coisa rara de se ver com essa quilometragem de acordo com ele.
Nessa época eu não entendia absolutamente NADA sobre mecânica mas, como sempre, fui autodidata e comecei a ler e estudar sobre o assunto para evitar alguns contratempos em oficinas desonestas. Fato é que tudo que sei sobre mecânica hoje aprendi nestes poucos anos estudando bastante e deixo como dica pra quem não entende nada e não tem tempo/ânimo pra encarar algum curso: vale MUITO a pena saber pelo menos o básico!
Este aprendizado foi muito útil e me ajudou a perceber, com o passar do tempo, como várias peças do “velho” GL eram de extrema qualidade comparadas às de muitos nacionais. O preço mais alto compensava e muito!
Com o tempo fui percebendo como aquele “velho” Golf GL era um carro bom mesmo com 11 anos de diferença em relação aos carros da época. E como era bonito e ainda chamava atenção aonde quer que eu fosse! Bem, como era meu primeiro carro, eu, naturalmente, poderia ter uma boa, ótima ou péssima experiência. No caso, tive uma ótima experiência!
Desde então comecei a virar fã dessa família (que depois de entrar no Clube do Golf descobri ser a terceira geração) e a medida em que eu ia conhecendo cada variação, cada motorização, os GTIs, os VR6, cada modelo específico, e sabendo como tanta gente no mundo adorava este carro, eu ficava cada vez mais vidrado! (tipo o Leônidas é com o Stilo dele, mas óbvio que não se pode comparar os dois carros, pois o Golf é infinitamente superior! hehe)
Fascinado por um carro, com 26 anos de idade, o caminho natural sabemos qual foi… a preparação de motores! Apesar de não ter chegado às vias de fato devido a implicações daquele motor monoponto, foi nessa época que também aprendi bastante coisa sobre preparação (inclusive recomendo o livro Maximum Boost do mestre americano Corky Bell).
Enfim, chega de falar do meu antigo carro! rs É que realmente não tinha como falar do amor ao GTI sem falar dele.
Então, sabendo que o Golf GTI de quarta geração disponível por aqui (hoje estamos na 4,5 podemos dizer) era exatamente o que eu queria fazer com aquele GL (era a evolução desse e ainda era um esportivo). Numa oportunidade com um membro do próprio Clube do Golf, finalmente realizei meu sonho mais próximo! O velho e bom alemão se despedia e dava lugar ao irmão mais novo GTI, modelo 2003, versão de 180 cavalos, com câmbio Tiptronic e uma gama de equipamentos de fazer gosto até hoje!
Além de compartilhar toda mecânica robusta com o primo Audi A3, o GTI vinha com coisas como:
– Freios ABS com EBD
– ESP (controle de estabilidade)
– ASR (controle de tração)
– 4 airbags (sendo 2 laterais)
– Piloto automático
– Teto solar
– Bancos em couro
– Câmbio automático sequencial (tip)
– Aquecimento nos bancos dianteiros (muito útil apesar de não parecer)
– Ar condicionado Climatronic (digital)
– Sensor de chuva
– Computador de bordo
– Retrovisor fotocromático (escurece automaticamente)
– Rodas 16″
Isso fora as coisas consideradas “básicas”.
Rendimento
Com um motor 1.8 com turbo refrigerado à água, 20 válvulas e 200 cv aproximadamente (graças a alguns upgrades) entregando 26 kg de torque disponíveis numa ampla faixa que vai de 2.000 a 5.500 rpm, o carro anda muito e o conforto que o câmbio tip de 5 marchas proporciona é quase sem igual!
O consumo não é de carro popular, obviamente. Média de 6 km/l na cidade (Belo Horizonte) pegando trânsito pesado e sem abusar do pedal direito (sendo que 1 das 2 lambdas está acusando defeito e assim que for trocada, provavelmente, melhorará o consumo). A média mista cidade/estrada sobe pra casa dos 7,5 a 8 km/l.
Média só na estrada, se você se deixar levar pela emoção de acelerar e ficar em velocidade “média” acima dos 150 km/h (pode acreditar: é MUITO fácil estar acima dessa velocidade sem perceber) também ficará na casa dos 7 a 8 km/l. Já se quiser curtir a viagem, nos limites da lei e bem relaxado, sugiro ativar o piloto automático, definir 100 ou 110 km/h, ligar o ar (se for o caso) e curtir uma boa música. Pode ter certeza que você vai chegar no seu destino quase no mesmo tempo do que correndo a 150 km/h, e ainda fazer uma média de 14 km/l ou mais!
Todas as médias são com gasolina comum! Se colocar “suco Pódium” no tanque vai andar mais e vai beber mais, simples! rs
Estabilidade e segurança
Mesmo na altura original o carro passa muita segurança nas curvas, ainda mais pelo ESP presente (pode-se desligá-lo se quiser). Se você passar do limite numa curva, antes que a coisa fique feia para o seu lado, luzes vão piscar no painel e você vai ter a impressão de que uma mão gigante invisível colocou o carro no lugar. É sério; chega a assustar! rs
Junto com isso temos um ótimo sistema de ABS com distribuição de frenagem, airbags frontais e mais dois nos bancos dianteiros para o caso de colisões laterais (Deus me livre!). Ah, tem encosto de cabeça e cintos de 3 pontos para todos ocupantes!
Conclusão: é um carro MUITO seguro!
Conforto e comodidade
O GTI é também muito confortável com uma suspensão que privilegia o conforto, sem ser dura demais (devido ao ESP talvez). Além dos mimos que citei acima, meu Golf possui regulagens de altura e distância no volante, lombar e de altura nos bancos da frente; porta-óculos, porta-copo muito bem posicionado no painel, abertura eletrônica do tanque, travamento automático de portas; regulagem de altura dos faróis, computador de bordo com duas medições; fechamento automático do teto solar no alarme, porta-malas honesto, estepe igual às rodas originais, aquecimento nos retrovisores (que o GL já tinha); várias luzes de cortesia, inclusive nos para-sois e chega a ter algumas coisas absurdas, como aviso do nível do reservatório do esguicho de água baixo.
Conclusão: é um carro MUITO confortável! (mais para 4 pessoas do que 5)
Lógico, nem tudo são flores. Alguns pontos negativos e observações sobre o carro.
– Ter aviso de nível de água baixo para o esguicho e não ter um aviso sobre a portinhola do tanque aberta não da pra entender, dá?
– Alarme de fábrica PORCO! A Volkswagen projetou um alarme que se o meliante gira a fechadura, o mesmo desarma! Dããã! Quanta inocência! Pior é que deve vender carros com esse alarme até hoje…
– Apesar do Golf não encabeçar mais a lista dos carros mais roubados atualmente, já o foi por muitos anos. Talvez por isso as seguradoras pratiquem valores tão exorbitantes ainda hoje. A solução? Seguro por associação! (até rimou! hehe)
– A suspensão range um pouco quando molhada (problema crônico aparentemente, levantado junto aos usuários do clube).
– Espaço limitado pra quem vai atrás. Dois adultos de média estatura e uma criança no máximo.
– O preço da maioria das peças na concessionária é SURREAL mesmo o carro sendo “nacional”! Alternativas são as importadoras e principalmente a internet, pois sendo um carro “mundial”, no exterior encontra-se tudo para ele com preços honestos.
– O câmbio Tiptronic, que originalmente veio do Porsche, é excelente e mundialmente conhecido, porém tive um problema no meu e aviso: o custo da manutenção é bem dispendioso e exige mão de obra super qualificada.
Que eu lembre agora, os poréns são basicamente estes. Obviamente o custo de manutenção é mais alto que os carros “comuns”, mas enumerar isto como “defeito” seria como querer que um carro turbo com 200 cv ou um V6 fosse econômico em combustível.
Algumas curiosidades sobre o Golf
– O GTI anterior a 2003 tinha motor de 150 cavalos, acelerador a cabo e não tinha a opção do câmbio Tiptronic. O emblema “GTI” na traseira é totalmente prateado;
– Os de ano/modelo 2003 em diante são os de 180 cv com opção do câmbio tip e acelerador eletrônico. O emblema “GTI” na traseira possui a letra “i” em vermelho;
– Existe uma versão rara do GTI chamada “VR6” que possui motor de 6 cilindros, 2.8 litros com 200 cavalos porém sem turbo. O câmbio é manual de 6 velocidades. Nesta versão todos são 2 portas e foram vendidos no Brasil apenas 99 unidades numeradas no painel (este deve matar muitos do coração por aí…rs);
– Existe uma versão ainda mais rara deste Golf chamada “R32” porém só é vendida na Europa e EUA. Vem com motor 3.2 litros naturalmente aspirado, com 240 cv, tração integral (a mesma do Audi Quattro) e com suspensão e adereços totalmente voltados à esportividade. (imagino como deve ser andar nesta belezura! 🙂 No Brasil você pode ver alguns poucos por aí que foram importados de forma independente) – NOTA DO BLOQUEIRO: tem um Golf desses em BH;
– O primeiro Golf a chegar aqui foi o de terceira geração (vulgo mk3) vendido até 98. De 98 em diante tivemos o de quarta geração (vulgo mk4) “puro”, até 2006, e, a partir de 2007, houve a remodelação que o deixou como está hoje. Como esta reestilização desagradou a muitos fãs e era apenas superficial, o Golf ficou conhecido apenas como geração 4,5, uma vez que o verdadeiro mk5 só existia na Europa. Atualmente o Golf está na 6 geração na Europa e continua fazendo bastante sucesso.
Por lá ele vem com equipamentos vistos por aqui somente em carros de luxo como câmbio semi-automático DSG (de dupla embreagem), amortecedores pneumáticos que podem ter sua rigidez ajustada de acordo com a necessidade, airbags de cortina e para os joelhos, assistente de estacionamento que faz balizas bastando, para isso, o motorista acelerar e frear, sensores de obstáculos dianteiros e traseiros, sensor de pressão dos pneus, e sistema multimídia com GPS e tela de LCD integrados no painel. É realmente DE BABAR ou não é? rs

Conclusão
Se você realmente gosta de carro e nunca experimentou um Golf GTI (de preferência da quarta geração em diante) está longe de ser completo. Brigas e “richas” sempre vão existir. Marea x Golf, Stilo x Golf, etc… Não é mera questão de só “andar” mais ou ter mais espaço ou preço melhor.
Vários outros carros superam o Golf nesses quesitos. A principal questão é ter o prazer de dirigir de um carro que vem sendo melhorado a seis gerações pelos alemães desde a década de 70! No volante e no dia a dia você percebe o que isto significa com perfeição. Não é por acaso que a família Golf é a terceira mais vendida em toda história mundial e a Volkswagen deriva vários de seus carros da plataforma Golf (ex. Bora, Jetta, New Beatle, Scirocco e mesmo o Passat).
Observem que mesmo estando duas gerações atrasados em relação à Europa podemos comprovar esta qualidade. Imaginem quando a VW acordar para a concorrência e decidir nos atualizar com o exterior! Até lá aconselho fortemente a quem tiver o mínimo de curiosidade “dirigir” um GTI de quarta geração! Mas eu AVISO! Depois disto, o seu nível de exigência irá subir drasticamente! Não digam que não avisei!
Infelizmente (ou felizmente) a VW encerrou este ano a produção do GTI no Brasil. Quem sabe não vem coisa nova por aí!”
Opinião do blogueiro
Não tenho muito a acrescentar nas ótimas Impressões do Bruno. Concordo com praticamente tudo que ele disse. Gosto do acabamento, da posição de dirigir e da condução do Golf, especialmente por causa do excelente câmbio. Me incomoda o espaço interno no banco traseiro, que poderia ser melhor, e o alarme de fábrica, que realmente é ridículo. Mas o que eu não gosto de verdade do Golf é o fato dele ainda estar na geração 4 (4,5) no Brasil. Isso realmente não é culpa do carro, mas sim da Volkswagen. O nosso Golf ainda é um excelente veículo. Mas a gerações posteriores, especialmente a sexta, são modelos muito superiores e que o brasileiro merece ter nas ruas.
Em relação às experiências que tive com o Golf, todas foram excelentes. A primeira foi com um GLX 1.8 prata (geração 3) de um amigo. A segunda foi com um 1.6 preto (geração quatro) de outro amigo. A mais recente delas foi com um GTI vermelho da geração 4,5 de teste, o famoso “carro mais potente do Brasil” quando abastecido com gasolina Podium (193 cv), que vocês conferem na foto abaixo. Foi a última versão do Golf GTI vendida no Brasil. O carro era realmente um foguete.



