A tecnologia bicombustível completou quatro anos em 2007. Desde 2003, muitas coisas mudaram, e a evolução está chegando aos poucos. Na primeira fase dos motores flex, a meta era o ganho de potência e desempenho. A fase que estamos agora está voltada para a melhora do consumo de combustível (finalmente!!!), mas sem a perda de desempenho, como podemos ver no motor 1.4 Econo.Flex da Chevrolet, considerado um dos primeiros propulsores da nova geração bicombustível.
Entretanto, mesmo com a ampla difusão dos carros que podem rodar com álcool, gasolina e com a mistura dos dois combustíveis, muitas pessoas têm dúvidas a respeito do abastecimento. Parte desta desinformação está relacionada às concessionárias e oficinas, que sempre dão “dicas” para ajudar o cliente. Mas estas dicas nem sempre são verdadeiras. Pensando nisso, o De 0 a 100 fez uma lista de mitos e verdades sobre os motores flex. Espero que isso possa ajudar.
MITOS
. No primeiro abastecimento de um carro flex 0 km, devemos sempre usar gasolina.
Mito porque o motor bicombustível foi construído para rodar com qualquer combustível, não importando a quantidade de álcool ou gasolina. Mas é importante que o tanque de partida a frio esteja abastecido com gasolina, de preferência aditivada, que tem a vida útil mais longa.
. É bom misturar álcool e gasolina ou alternar o abastecimento entre um tanque e outro de álcool e gasolina.
Mito. Como eu disse acima, os propulsores foram desenvolvidos para funcionar com qualquer um dos combustíveis e com a mistura de ambos.
. O sistema flex pode viciar se o carro for abastecido com apenas um dos combustíveis.
De acordo com alguns fabricantes, se o motorista preferir, ele pode abastecer o tanque do seu carro com apenas um dos combustíveis durante toda vida útil do carro. A Ford tem uma opinião um pouco diferente. Os motores possuem peças e componentes desenvolvidos especialmente para funcionar com os dois combustíveis, como sonda lambda aquecida; injetores de combustível com maior área de vazão; regulador de pressão com materiais especiais; kit bomba de combustível com proteção a corrosão e blindada; filtro de combustível especial para filtragem de álcool e velas de ignição com extensão de temperatura ampliada. Por isso, nunca compre esses chips que fazem a transformação do carro “monocombustível” para flex. Esse chip é PICARETAGEM!
. Carro flex demora mais para pegar, especialmente no frio, mesmo com “tanquinho” de partida a frio cheio.
Mito porque o sistema de partida a frio, quando abastecido de gasolina, de preferência aditivada (Podium é a mais indicada), resolve o problema. Quando o reservatório está vazio, e o carro abastecido com álcool, realmente o modelo pode ter dificuldade para pegar. O “tanquinho” evita que o veículo use e abuse da bateria para pegar. Vale a pena verificar periodicamente o volume de combustível no reservatório de partida a frio para evitar problemas, especialmente se você roda só com álcool.
VERDADES
. Ao trocar de combustível, é preciso rodar um pouco com o carro antes de desligar o motor.
É verdade. A central eletrônica do sistema flex precisa de um tempo para “se entender” e reconhecer o novo combustível que está no tanque. A recomendação é que o motorista rode cerca de 6 km para o sistema entender as mudanças e definir as melhores condições de queima do combustível.
. Se eu for a um posto de combustível que eu não conheço e confio, devo optar pelo álcool.
Isso é verdade. O tipo de adulteração mais comum do álcool é a adição de água, que prejudica menos o motor em relação à adulteração da gasolina, que costuma ganhar solventes estranhos.
. A gasolina que fica no “tanquinho” de partida a frio fica velha.
É verdade para alguns modelos e mentira para outros. Nos motores flex da Honda, por exemplo, toda vez que o carro é ligado, o sistema usa um pouco da gasolina do sistema de partida a frio. Desta forma, o “tanquinho” está sempre recebendo gasolina nova periodicamente. Já para os líderes de mercado, Gol e Palio, o motorista deve sempre abastecer o reservatório de partida a frio com gasolina aditivada, de preferência a Podium, que é mais limpa e que tem maior validade (cerca de um ano) do que a gasolina comum (aproximadamente 90 dias). Mas é sempre interessante limpar o reservatório duas vezes por ano.